O avanço de reformas sem critérios de preservação tem provocado preocupação em Monteiro, no Cariri paraibano. O alerta foi feito pelo advogado, escritor e professor Inácio José Feitosa Neto, que publicou uma reflexão sobre a descaracterização do casario histórico da cidade e os impactos da perda da identidade urbana.
Segundo ele, imóveis antigos estão sendo modificados sem preocupação com a preservação arquitetônica, substituindo elementos tradicionais por estruturas modernas e padronizadas. Entre os exemplos citados estão o uso crescente de porcelanato e ACM, material industrial bastante utilizado em fachadas contemporâneas.
Para Inácio, o problema não está apenas nos materiais, mas no que representam para a memória da cidade. “Não estamos apenas reformando imóveis; estamos apagando histórias”, destacou.
O advogado lembra que Monteiro possui 154 anos de história e que grande parte do valor cultural do município está justamente no conjunto urbano construído ao longo das décadas. Ele afirma que o processo de descaracterização ocorre de forma silenciosa, mas contínua, comprometendo a identidade visual e histórica da cidade.
No texto, o professor também chama atenção para a ausência de políticas públicas voltadas à preservação patrimonial. Segundo ele, faltam regras claras, incentivo aos proprietários e ações efetivas de proteção das áreas históricas.
Além disso, Inácio aponta que há uma falha cultural na valorização do patrimônio histórico e um equívoco econômico ao acreditar que preservar seria um obstáculo ao desenvolvimento. “Preservar não é impedir o progresso. É impedir que o progresso apague a história”, afirmou.
O escritor defende que o município possa criar áreas de preservação, estabelecer normas urbanísticas específicas e incentivar iniciativas de recuperação do patrimônio arquitetônico local.
Ao final, ele faz um apelo para que Monteiro não perca suas raízes diante do avanço das transformações urbanas. “O casario histórico de Monteiro pede socorro e pede que a cidade não esqueça quem é”, concluiu.
De Olho no Cariri












