Prefeita de São Sebastião do Umbuzeiro repudia condutas na Câmara e cobra postura institucional

A prefeita de São Sebastião do Umbuzeiro, Adalcy Freitas, divulgou nesta quinta-feira (27), uma nota pública demonstrando preocupação com os episódios registrados durante a última sessão da Câmara Municipal. Segundo a gestora, o espaço destinado ao debate democrático teria sido utilizado de forma inadequada por alguns parlamentares, com uso de linguagem considerada imprópria e comportamento fora dos padrões exigidos pelo cargo público.

Adalcy afirmou que, em momentos que exigem equilíbrio e responsabilidade, “entristece ver a tribuna transformada em espaço de linguajar vulgar e evidente descontrole”. Para ela, quando a razão é substituída pelo impulso, perdem-se o respeito à autoridade e o compromisso com os princípios institucionais.

A prefeita destacou positivamente a atitude dos vereadores aliados à gestão municipal, que optaram por se retirar da sessão. Segundo ela, a decisão foi uma forma de não compactuar com excessos e de preservar a seriedade que o mandato exige. “A população espera menos teatralidade e mais compostura; menos insultos e mais proposições”, ressaltou.

Na nota, a gestora manifesta repúdio às falas da presidente da Câmara, Sildete Pires, que teria insinuado manipulação por parte do Executivo. Adalcy classificou a atitude como “descontrole” e afirmou que declarações desta natureza não contribuem para o debate democrático. A prefeita também repudiou as insinuações e chacotas dirigidas à sua pessoa, enfatizando que tais condutas ultrapassam os limites aceitáveis e desrespeitam não apenas a ela, mas toda a população que representa.

Encerrando o posicionamento, Adalcy Freitas reafirmou seu compromisso com o diálogo, a ética e o trabalho responsável. “Seguirei pautando minha atuação pela seriedade que a cidade merece”, concluiu.

A nota repercutiu entre lideranças locais e reacende o debate sobre a necessidade de maior equilíbrio e respeito mútuo entre os poderes.

De Olho no Cariri

Com Blog do Bruno Lira

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Os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defenderam, nesta terça-feira (18/8), que a Corte volte a discutir a obrigatoriedade de diploma para o exercício da profissão de jornalista. A exigência foi derrubada pelo STF em 2009.

As declarações ocorreram durante julgamento na Primeira Turma sobre o direito de resposta concedido a uma clínica médica denunciada em reportagem exibida pela TV Globo sobre denúncias de abusos sexuais.

Ao devolver pedido de vista no processo, Moraes afirmou que a decisão de 2009 tornou mais complexo o debate sobre as garantias asseguradas à imprensa, especialmente diante do crescimento das redes sociais.

O ministro disse respeitar o entendimento firmado pela Corte, mas defendeu que o tema seja novamente analisado.

“Está na hora de refletirmos sobre a questão do diploma de jornalismo. […] Hoje, com as redes sociais, qualquer pessoa acorda e diz: ‘A partir de hoje, eu sou um jornalista’ e começa, no seu blog, a ofender a honra de inúmeras pessoas e se escudar na liberdade de imprensa e, claramente, nós não podemos normalizar isso e tratar essas pessoas como a imprensa séria, o jornalismo sério”, defendeu Moraes.

Para o ministro, o Supremo poderia discutir a criação de uma regra de transição para profissionais que já exercem a atividade de forma regular.

Regulamentação da atividade

Na sequência, Dino também defendeu uma reflexão sobre o tema e a possibilidade de regulamentação da atividade profissional.

Segundo Dino, a extensão automática das garantias constitucionais destinadas ao jornalismo profissional a qualquer pessoa que se apresente como blogueiro poderia gerar distorções. Ele citou, como exemplo, a possibilidade de organizações criminosas recrutarem blogueiros para, em tese, se beneficiarem dessas proteções.

“Isso constitui um complicador na medida em que a extensão automática desse regime de garantias a qualquer blogueiro pode levar que o PCC e o Comando Vermelho façam concurso para selecionar blogueiros. Teria cada um 100 blogueiros supostamente protegidos por este conjunto de garantias”, afirmou.

Em 2009, no julgamento do Recurso Extraordinário 511.961, o plenário da Casa derrubou, por 8 votos a 1, a exigência de diploma de curso superior em jornalismo para o exercício da profissão. A obrigatoriedade estava prevista no Decreto-Lei nº 972, de 1969.

À época, a Corte entendeu que a exigência não havia sido recepcionada pela Constituição de 1988 por representar uma restrição incompatível com as liberdades de expressão, informação e imprensa.

As declarações dos ministros ocorrem dias após Moraes determinar uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão, e Diogo Diniz Lima, advogado e ex-secretário de Urbanismo e Habitação de São Luís.

Segundo a Polícia Federal, ambos teriam atuado como fontes do jornalista Luís Pablo, que publicou reportagens sobre supostas irregularidades envolvendo familiares de Flávio Dino.

A operação ocorreu três dias antes de Luís Pablo prestar depoimento à PF. O jornalista foi ouvido como investigado por suposto crime de perseguição e optou por permanecer em silêncio, após ser informado sobre o direito constitucional de preservar o sigilo de suas fontes.