CONTRADIÇÃO: Oposição de São João do Cariri entra na Justiça para cancelar sessão que concedeu reajuste aos ACS e ainda requer aumento dos próprios salários

Um fato inusitado acontece na cidade de São João do Cariri. Os quatro vereadores que fazem oposição ao governo municipal (George Aquino, Júber Ramos, além dos vereadores Chicão e Dão) ingressaram na Justiça com um processo no mínimo inusitado. O bloco pediu a suspensão da sessão que garantiu reajuste salarial aos ACS’s e ACE’s e ainda requereu aumento para seus próprios vencimentos.

Os vereadores pedem a anulação da sessão ordinária ocorrida no dia 12 de abril. Naquela sessão foram votados e aprovados os projetos de Lei N.º 03/2019 de autoria do prefeito Hélder Trajano, que concedeu reajuste aos Agentes Comunitários de Saúde e aos Agentes de Endemias, em valor aproximado de R$ 200,00 de aumento.

Na mesma sessão ainda foi aprovado o projeto N.º 04/2019 também de autoria do prefeito Hélder Trajano, em que o gestor pede a autorização da Câmara para abertura de um crédito especial destinado à melhorias na educação, como a compra de mobiliários para as escolas municipais e até mesmo um ônibus para incrementar o transporte de alunos.

A sessão também teve a votação e aprovação do pedido do vereador Marcos Wender de afastamento, sem vencimentos, da Câmara Municipal por 120 dias, ocasião em que foi empossado o suplente Francisco Júnior. E aí reside de fato a motivação para o pedido dos vereadores oposicionistas, que desde a apresentação do pedido por Marcos Wender obstaculizaram sua votação.

Os vereadores alegaram na ação que não foram avisados da realização da sessão, mas o presidente do Legislativo, Alberto Gaudêncio, informou que os mesmos faltam com a verdade, pois estavam na sessão anterior em que foi comunicada a realização da próxima reunião da Câmara e até confirmaram presença. O vereador George Aquino confirmou até que votaria no pedido de licença a ser apresentado na sessão posterior.

Ainda segundo o presidente Alberto Gaudêncio, o grande inconformismo dos vereadores seria o desconto realizado em seus contracheques em virtude da falta de todo o bloco de oposição à sessão onde foram apreciadas tais matérias. Porém, o presidente deixou claro que o desconto é previsto em resolução da casa e, por ter respeito ao dinheiro público, não poderia deixar de aplicar. “Todos estavam cientes e concordaram com a realização da sessão no dia 12, inclusive o adiamento da matéria referente ao afastamento do vereador Marcos Enfermeiro foi ideia do próprio vereador George”, completou o presidente que ainda disse que os mesmos desde sempre não queriam a posse do vereador Francisco Júnior.

Pedido de aumento aos próprios vereadores

O mais contraditório, porém, ainda estava por vir. O bloco de oposição na Câmara de São João do Cariri pediu junto ao cancelamento da sessão que concedeu reajuste aos ACS’s e ACE’s um aumento para seus próprios vencimentos. Segundo a alegação apresentada na ação, os parlamentares deveriam receber R$ 4.000,00, quando o valor pago pela Câmara é de “apenas” R$ 2.880,00.

O advogado da Prefeitura de São João do Cariri comentou o pedido dos vereadores de oposição na Justiça e destacou que ainda estava sem acreditar na falta de bom senso e descompromisso de tais parlamentares. Maviael Fernandes, que é advogado da prefeitura há muitos anos disse que foi a primeira vez que viu um processo dessa natureza.

“Não tem pé e nem cabeça, uma aventura jurídica sem precedentes. E o que é pior, buscando benefício próprio em detrimento a benefícios à própria população, pois a abertura de crédito especial vincula o gestor ao objeto que ele especifica e neste caso o objetivo seria a aquisição de um veículo para a educação. Quanto ao aumento dos agentes de saúde e endemias não há nem o que se discutir, apenas o prefeito quer repassar o recurso a maior que ingressou nos cofres públicos com vinculação específica para esses profissionais”, frisou o advogado.

De Olho no Cariri

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O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), por meio da Diretoria de Tecnologia da Informação (Ditec), e o Hemocentro da Paraíba estão desenvolvendo o DNA Jus, uma solução tecnológica que pretende tornar mais rápido, seguro e eficiente o fluxo de realização de exames de DNA solicitados pela Justiça. Nesta quarta-feira (16), representantes das duas instituições se reuniram para alinhar detalhes do projeto e avançar na construção do sistema.

Atualmente, a solicitação e o agendamento dos exames envolvem procedimentos realizados de forma manual entre o Judiciário e o Hemocentro. A proposta do DNA Jus é concentrar as etapas em uma única plataforma, permitindo que o magistrado faça a solicitação e o agendamento da coleta, acompanhe o procedimento e tenha acesso ao laudo de forma digital e sigilosa.

O juiz auxiliar da Presidência do TJPB, Fábio Araújo, explicou que a ferramenta foi pensada para simplificar o fluxo e reduzir o tempo de tramitação dos processos relacionados aos exames. Segundo ele, embora exista um tempo médio para a realização dos procedimentos, fatores específicos de cada caso podem interferir nos prazos.

“A ideia é facilitar a marcação, o agendamento e a coleta do material biológico e, consequentemente, a entrega dos resultados. Com um fluxo mais rápido e organizado, esperamos encurtar esse tempo, reduzindo circunstâncias externas que possam prejudicar o bom andamento dos procedimentos”, afirmou.

A previsão é que o sistema seja apresentado no dia 16 de novembro de 2026. A partir daí, a expectativa é disponibilizar a solução para utilização pelos magistrados e pelo Hemocentro.

De acordo com o diretor da Ditec, Daniel Melo, o DNA Jus está sendo desenvolvido pelo Tribunal de Justiça a partir dos requisitos levantados junto ao Hemocentro. A proposta é substituir o atual fluxo manual, realizado principalmente por e-mail, por uma plataforma integrada.

“O DNA Jus surgiu da necessidade de modernizar o processo atual, que é feito de forma manual e pode gerar atrasos e burocracia. Estamos criando uma solução para unificar todo o fluxo de trabalho, otimizando tempo e prazos e entregando o resultado com maior eficiência à população”, explicou.

Na prática, o magistrado poderá acessar a plataforma ao identificar a necessidade de um exame de DNA, escolher o laboratório ou posto de coleta, fazer o agendamento e comunicar as partes envolvidas. As etapas seguintes, incluindo a coleta do material biológico e a geração do laudo, também serão gerenciadas pelo sistema.

O Hemocentro terá participação central no funcionamento da plataforma, sendo responsável pela coleta e pelo processamento do material biológico e pela elaboração dos laudos. Para o diretor-geral do Hemocentro da Paraíba, José de Paiva Gadelha Neto, a ferramenta também representa um avanço em segurança e sigilo das informações.

“A reunião foi muito importante para modernizar a forma como as pessoas terão acesso ao resultado final dos exames de DNA. Com o novo sistema, o próprio magistrado poderá marcar a data da coleta das partes interessadas, o que representa ganho de tempo e segurança. E um dos pontos mais importantes é o sigilo, já que apenas o magistrado terá acesso final ao laudo”, destacou.

DE OLHO NO CARIRI

Por Ludmila Costa – Comunicação TJPB