Vitor Hugo é eleito prefeito de Cabedelo após afastamento de Leto Viana pela Operação Xeque-Mate

Vitor Hugo Casteliano (PRB) foi eleito presidente da Câmara de Cabedelo, no fim da manhã desta quarta-feira (4), na Grande João Pessoa, após Leto Viana (PRP), prefeito afastado, ter sido preso na operação Xeque-Mate, deflagrada na terça-feira (3). Consequentemente, o parlamentar assume a prefeitura do município interinamente. Além da nova composição da mesa diretora, dez suplentes de vereadores tomaram posse.

Com a nova composição, assume a presidiência da Câmara a vereadora Geusa Ribeiro (PRP). A mesa diretora ainda será composta pelo primeiro vice, Divino Felizardo (PRP), pelo segundo vice Janderson Brito (PSDB) e pelo primeiro secretário, Valdir Silva.

Já os suplentes tomaram posse após cinco vereadores serem presos e outros cinco serem afastados. A decisão é provisória, até que a situação dos parlamentares eleitos seja definida.

Na terça-feira (3), a Polícia Federal cumpriu 11 mandados de prisão preventiva, 15 sequestros de imóveis e 36 de mandados busca e apreensão expedidos pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. Além dos mandados, a Justiça decretou o afastamento cautelar do cargo de 85 servidores públicos, incluindo o prefeito e o vice-prefeito de Cabedelo, e o presidente da Câmara Municipal.

Primeiro ato

Em seu primeiro ato como prefeito interino, Vitor Hugo afirmou que vai exonerar os comissionados que ganhem mais de R$ 10 mil para, assim, economizar R$ 1 milhão por mês na folha pessoal da Prefeitura de Cabedelo. Esse recurso economizado deve ser destinado a obras para o município e melhorias para o funcionalismo público.

“Eu não vim aqui para mudar. Eu vim aqui para fazer o que é correto. A minha primeira ação será reduzir os cargos que são CC1, no valor de R$ 10 mil que, ao meu ver, não são significativos para o município”, declarou.
Confira a lista dos vereadores presos e afastados:
  1. Lúcio José do Nascimento Araújo (PRP) – presidente da Câmara
  2. Jacqueline Monteiro Franca (PRP), esposa de Leto – vice-presidente da Câmara
  3. Tércio de Figueiredo Dornelas Filho (PSL)
  4. Rosildo Pereira de Araújo Júnior, “Júnior Datele” (PEN)
  5. Antônio Bezerra do Vale Filho, “Antônio do Vale” (PRP)

Confiram a lista dos vereadores somente afastados:

  1. Josué Góes (PSDB)
  2. Belmiro Mamede (PRP)
  3. Rogério Santiago (PRP)
  4. Rosivaldo Galan (PRP)
  5. Moacir Dantas (PP)

No total, os 10 vereadores afastados pertencem a três coligações diferentes. As substituições obedeceram a proporcionalidade de votos obtidos em cada uma das coligações: Pra Frente Cabedelo I, Pra Frente Cabedelo II e Unidos Por Um Só Objetivo.

Confira a lista dos vereadores que tomaram posse:

  1. Benone Bernardo Silva
  2. Josimar de Lima Silva
  3. Valdi Silva Moreira
  4. Herlon Cabral de Medeiros
  5. Divino Francisco Felizardo
  6. Maria do Socorro Gomes
  7. José Francisco Pereira
  8. Janderson Bizerril de Brito
  9. Jonas Pequeno dos Santos
  10. Maria das Graças Carlos Rezende
Operação Xeque-Mate

A operação Xeque-Mate aconteceu em conjunto com o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba e teve como objetivo desarticular um esquema de corrupção na administração pública no município de Cabedelo, localizado na região da Grande João Pessoa.

De acordo com o superintendente regional da PF na Paraíba, André Viana Andrade, foram apreendidos R$ 300 mil reais em dinheiro durante a ação, inclusive nas casas do prefeito Leto Viana e do presidente da Câmara de Cabedelo, Lúcio José do Nascimento Araújo.

Ao ex-vereador Lucas Santino foi oferecido a extinção da pena de alguns crimes. Ele informou à Polícia Federal que o prefeito de Cabedelo forçou uma CPI para atrapalhar o trabalho do ex-presidente da Câmara. Ele confessou à PF que cometeu os crimes apontados na CPI, mas alegou que outros foram cometidos por colegas.

A Polícia Federal cumpriu ainda 15 sequestros de imóveis e 36 de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. Além dos mandados, a Justiça decretou o afastamento cautelar do cargo de 85 servidores públicos, incluindo o prefeito e o vice-prefeito de Cabedelo, e o presidente da Câmara Municipal. Cinco vereadores, dos 15 eleitos, são alvo da operação. De acordo com o delegado Fabiano Emídio, “as pessoas estão sendo presas para que seja estancada sangria dos cofres públicos”.

Com G1PB

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Uma fiscalização da Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE) resgatou 20 trabalhadores de condições análogas às de escravidão em uma obra pública de pavimentação localizada na cidade de Patos, no Sertão da Paraíba. O resgate aconteceu no final de julho, mas foi divulgado apenas nesta quarta-feira (9) pela auditoria.

Os 20 trabalhadores resgatados em questão estavam instalados em alojamentos coletivos fornecidos pela empregadora. Em outras duas empresas fiscalizadas, foram encontrados 10 e 20 trabalhadores na informalidade, respectivamente, sem que houvesse resgate. Medidas cabíveis foram adotadas.

Ainda de acordo com as informações divulgadas, foram averiguadas as situações de 55 trabalhadores vinculados a três empregadores diferentes, dos quais 47 estavam sem registro e sem formalização dos contratos de trabalho. Em uma dessas empresas, responsável por duas frentes de pavimentação em paralelepípedos, foram alcançados 25 trabalhadores, 17 deles sem registro.

A operação também encontrou uma série de irregularidades relacionadas também às condições em que os trabalhadores eram alojados e a estrutura de trabalho que dispunham. Sobre os alojamentos, a fiscalização encontrou que dois eram superlotados e precários, sem camas, móveis ou estrutura adequada, com colchões no piso e pertences espalhados.

Nas frentes de trabalho não havia sanitários, lavatórios, vestiários, abrigo ou local adequado para refeições e descanso. As necessidades eram feitas no mato e as refeições no chão, enquanto os trabalhadores ficavam expostos ao sol, poeira, esforço físico e riscos de acidentes, sem equipamentos de proteção, treinamento, controle médico ou primeiros socorros.

Em relação aos pagamentos dos salários dos trabalhadores, estes eram feitos em espécie ou transferência, sem recibos, e sem a parcela de repouso semanal para remunerados por produção ou diária. A fiscalização encontrou registros manuscritos de pagamento e ponto que identificavam trabalhadores sem registro, com dados da obra, frequência e chaves de transferência.

A conduta e eventual responsabilidade dos entes públicos contratantes das obras serão apuradas em procedimentos específicos.

Direitos dos trabalhadores foram registrados

Fotos de um dos alojamentos em que os trabalhadores ficavam — Foto: Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)

Fotos de um dos alojamentos em que os trabalhadores ficavam — Foto: Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)

Também conforme a auditoria, os vínculos de emprego dos trabalhadores foram formalizados, com registro no eSocial desde as respectivas datas de admissão e os correspondentes recolhimentos do FGTS e das contribuições previdenciárias.

Somados, os valores destinados ao pagamento das verbas rescisórias ultrapassam R$ 85 mil. Os trabalhadores também terão acesso ao seguro-desemprego destinado especificamente ao trabalhador resgatado de condição análoga à de escravo, observados os requisitos legais.

De Olho no Cariri

Com G1 Paraíba