Justiça bloqueia bens da Braiscompany e sócios foragidos da Polícia Federal

O juiz Carlos Eduardo Leite Lisboa, da 11ª Vara Cível de João Pessoa, determinou na tarde sexta-feira (17) o bloqueio de verbas e veículos da Braiscompany e dos proprietários da empresa Antônio Inácio da Silva Neto e Fabrícia Campos. Os dois tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça Federal por suspeita de crimes contra o sistema financeiro, mas seguem foragidos.

O magistrado pontuou que a Braiscompany recebeu quantias em dinheiro de clientes com a promessa rendimentos, porém, “o negócio fracassou”.

“A empresa Braiscompany, como muitas outras que emergiram das profundezas do mercado de capitais nos últimos anos, foi envolvida em escândalos policialescos por possível prática do pichardismo, ou, na expressão mais comum, de pirâmide financeira”, escreveu.

Há, pois, fortes indícios de que os réus efetivaram contratos com vários clientes e, após fugarem, não ressarciram os mesmos, deixando de honrar com as cláusulas contratuais firmadas entre as partes, fato noticiado em sítios eletrônicos como esquema fraudulento “em pirâmide”

Pedido do MPPB 

Ontem, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) ingressou com uma ação no Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) pedindo o bloqueio de R$ 45 milhões da empresa Braiscompany e de seus sócios, Antônio Inácio Silva Neto e Fabrícia Campos.

Para os promotores, a Braiscompany adota uma estratégia para ludibriar o consumidor.

“Faz parte da estratégia de marketing e captação de clientes da empresa a divulgação de um estilo de vida de luxo dos brokers e dos sócios-administradores da BRAISCOMPANY, o casal Antônio Neto e Fabrícia, os quais comumente compartilham com os seus seguidores as viagens que fazem a destinos paradisíacos, a utilização de jatinhos, carros, marcas de luxo, imóveis de grande valia, tudo isso informado pela mensagem subliminar de que toda aquela riqueza foi alcançada a partir da utilização desse modelo de negócios que eles estão comercializando. Uma ação orquestrada para ludibriar o consumidor que, na maioria das vezes, não tem acesso a nenhum desses itens”

O Ministério Público diz, ainda, que “o modelo de negócios desenvolvido pela BRAISCOMPANY é extremamente turvo, desde o objetivo do empreendimento em si (a gestão de criptoativos)”.

Para os investigadores, existem fortes indícios de que a empresa é uma pirâmide financeira.

“O empreendimento possui características essenciais basilares a uma pirâmide, em especial a promessa de rendimentos anormalmente altos, a agressiva captação de clientes e a forte evidência de que os resultados da empresa se devem muito mais aos aportes financeiros dos contratantes que chegaram em momento posterior, do que à receita gerada pela atividade negocial desenvolvida. Por este motivo, faz-se imperiosa a desconsideração da personalidade jurídica da BRAISCOMPANY em busca da verdade real dos fatos”.

Com Wallisson Bezerra / Mais PB

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Cinco veículos de luxo do influenciador Hytalo Santos, avaliados em R$ 4,8 milhões, entre eles uma McLaren e uma Tesla, foram arrematados em leilão na Paraíba nesta segunda-feira (14). O pregão inicialmente estava previsto para acontecer no dia 31 de agosto, mas foi adiado pela Justiça do Trabalho.

O conversível McLaren era o mais caro da lista, avaliado em R$ 2.850.000,00. Ainda havia um veículo Tesla, marca do bilionário Elon Musk, avaliado em R$ 1.450.000,00. Veja abaixo a lista com valores de avaliação e valores finais de venda de cada item.

  • UTV Bombardier ( veículo automotor off-road) – valor de avaliação: R$ 200.000,00 | valor final: R$155.500,00
  • Moto Aquática Bombardier (RXP) – valor de avaliação: R$ 120.000,00 | valor final: R$79.000,00
  • Moto Aquática Bombardier (GTX) – valor de avaliação: R$ 180.000,00 | valor final: 118.000,00
  • Veículo McLaren – valor de avaliação: R$ 2.850.000,00 | valor final: 1.900.000,00
  • Veículo Tesla – valor: R$ 1.450.000,00 | valor final: 750.000,00

No total, os itens foram avaliados em R$ 4,8 milhões milhões e arrematados por pouco mais de R$ 3 milhões, uma diferença de 37,45%. Todos os itens foram arrematados por uma única empresa de São Paulo. O nome da empresa não foi divulgado.

Entre os motivos elencados pelo TRT-13 para realizar o leilão estão que os veículos sofrem perda de valor e desgaste físico pelo passar do tempo e pela falta de uso regular, além de argumentar que o ordenamento jurídico atual permite a venda antecipada de bens penhorados quando há risco de degradação ou desvalorização.

De acordo com o Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região na Paraíba, os veículos vão ser leilodos no âmbito de um processo que o influenciador responde na Justiça do Trabalho, que está sob segredo de Justiça.

A reportagem entrou em contato com o advogado Julio Camargos, que faz a defesa de Hytalo Santos, que respondeu que “o leilão não é penalidade, mas medida destinada a preservar o patrimônio dos clientes” e que, conforme legislação, “os valores eventualmente apurados no leilão permanecerão depositados em juízo, com correção monetária, e serão restituídos integralmente a Hytalo Santos e Euro (Israel Vicente, marido dele) com a improcedência dos pedidos”.

O leilão foi realizado por uma empresa especializada no ramo. Não foi divulgado qual será o destino do dinheiro que será angariado com o leilão.

Caso Hytalo Santos

Hytalo Santos e o marido, Israel Vicente, estão presos atualmente em João Pessoa, na Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, conhecida como Presídio do Roger. Ambos foram condenados por produção de conteúdo pornográfico com menores no âmbito da Justiça Criminal.

Hytalo Santos e o marido respondem também um processo independente na Justiça do Trabalho, onde são réus por crimes como tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão.

De Olho no Cariri

Com G1 Paraíba