Eleições: um desenho da disputa na Paraíba

Escrever sobre o cenário político da Paraíba não é algo simples, lógico ou racional. Nas últimas eleições a prorrogação sempre foi decisiva no jogo dos bastidores. Surpreender vem sendo a principal arma nas nossas batalhas eleitorais.

Diante disso, primeiramente devemos traçar um cenário atual. Em meio à deslegitimação da política, o governo Ricardo Coutinho figura entre os mais bem avaliados do Brasil. Os números impressionam, 85% de aprovação na grande João Pessoa, uma média de 75% o respaldam no interior, e 55% da população campinense aplaudem o mago.

Por que os números da nossa Rainha da Borborema impressionam? Simples, ou não, é o primeiro governador de nossa história, não natural de Campina Grande, a atingir essa marca na cidade. Algo que vai de encontro a qualquer análise superficial.

Além disso, Ricardo aglutina partidos e políticos tradicionais no seu centro gravitacional. Os clãs Wilson, Roberto e Feliciano, do PTB, PR e PDT respectivamente são exemplos, além de parcela significativa do PMDB. No plano nacional, o PSB começa a estabelecer uma distância com o governo Temer, algo já marcante na legenda paraibana.

Do outro lado da história, encontramos o PSDB comandado por políticos tradicionais, destacando a figura do Senador Cássio Cunha Lima e o emergente Romero Rodrigues. Nesse barco, como figuras de proa, ainda devem navegar capas pretas do PMDB e o PSD. Detalhe, eles vêm com o peso do governo Temer na mala.

Nesse quadro, uma aliança Cartaxo/Cássio poderá retomar a união Campina Grande/João Pessoa realizada na primeira campanha de Ricardo ao governo do estado, algo incomum na história, mas decisivo em qualquer pleito.

Duelo de titãs. Todavia, a Paraíba sempre estará dividida. A oposição vem com nomes “de peso”, grandes máquinas eleitorais, as principais prefeituras, com um forte processo de renovação dos seus quadros em âmbito estadual.

O governo Ricardo vem com alguns desafios. O primeiro, o seu processo de afastamento do cargo. O segundo, a composição de uma chapa competitiva. O terceiro, a definição de um nome.

Não, esse é um erro. O governo Ricardo não pode ficar reféns de nomes, seu candidato vai representar a continuidade de um projeto, deve trazer a marca do trabalho, da gestão, muito além da política. Enquanto a base governista ficar refém da política, a oposição larga na frente.

 

Rafael Maracajá Antonino, caririzeiro, advogado por formação, historiador por vocação, cientista social por paixão.

Por: KLEBSON WANDERLEY em 25 de janeiro de 2017

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