Hugo Motta descarta pautar projeto de anistia do 8 de janeiro: “chance zero”

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), descartou a possibilidade de pautar no plenário o projeto que propõe anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Segundo interlocutores, a chance de o tema ser levado à discussão no momento é “zero”.

A declaração surge em meio a um movimento da oposição, liderado por parlamentares aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca apoio para aprovar a proposta ainda na primeira quinzena de abril. Dirigentes do PL têm articulado alianças com outras siglas para viabilizar a votação.

No entanto, Motta entende que não há motivo para pautar a matéria neste momento e avalia que a iniciativa poderia gerar desgastes na relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar tem se aproximado do governo e chegou a acompanhar o chefe do Executivo em viagens internacionais.

Julgamento no STF e pressão da oposição

Na quarta-feira (26), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, tornar Bolsonaro e mais sete aliados réus sob suspeita de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. Eles responderão a uma ação penal, podendo ser condenados ou absolvidos ao fim do processo.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou os envolvidos por crimes como tentativa de golpe, abolição violenta do estado democrático de direito e organização criminosa. As investigações apontam conexão direta entre a suposta trama golpista e os atos de vandalismo em Brasília, em dezembro de 2022, além do bloqueio ilegal de estradas após a vitória de Lula e os ataques de 8 de janeiro.

Diante desse cenário, o líder da oposição na Câmara, Zucco (PL-RS), reafirmou a intenção de levar a anistia à votação nas primeiras semanas de abril. Hugo Motta convocou uma reunião com parlamentares favoráveis à proposta para o dia 1º de abril. Além disso, no dia 3, líderes partidários se encontrarão com o presidente da Casa para discutir o tema.

Governo descarta avanço da pauta

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou à GloboNews que não há “clima” para a votação da anistia. Segundo ele, a prioridade do Congresso deve ser pautas que beneficiem o país.

“Não tem clima para votar. É um erro querer levar esse debate agora ao plenário. Isso interdita o diálogo entre o presidente da Câmara e os líderes partidários”, declarou Guimarães. O parlamentar ressaltou que a insistência na anistia pode prejudicar a tramitação de outros projetos relevantes, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Diante da resistência do governo e da posição de Hugo Motta, a votação do projeto de anistia segue incerta, com baixa possibilidade de avançar nas próximas semanas.

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O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB)  liberou a candidatura de Daniella Ribeiro (PP) como primeira suplente de Nabor Wanderley (Republicanos). O TRE negou a Ação de Impugnação de Registro de Candidatura, movida pelo Ministério Público Eleitoral. A decisão foi por unanimidade.

A ação indagava  presença de Daniella na chapa por ela ser a mãe do governador Lucas Ribeiro (PP), que é candidato à reeleição do governo do estado. O MPE (Ministério Público Eleitoral) que apresentou o pedido de impugnação, afirmava que a regra de inelegibilidade prevista no artigo 14, parágrafo 7º, da Constituição Federal atingia a senadora, que deixou de concorrer à renovação do seu mandato para disputar uma vaga de suplência.

Desde o ano passado que Daniella declarava abrir mão da disputa pela reeleição após a confirmação da candidatura do filho ao Governo do Estado, no entanto, afirmou ter repensado diante o convite e que a decisão tem haver com o projeto político para a Paraíba.

“Eu abri mão da possibilidade de um mandato de reeleição. Todo mundo sabe disso. Mas se fosse apenas por ser meu filho e não tivesse história, e se não fosse um governo e um grupo que vêm fazendo a diferença na Paraíba, certamente eu não teria aberto mão”, disse.

A parlamentar rebateu subjeções acerca de a suplência ser rebaixamento político ao lembrar que a decisão de grupo prevalece e de que suas bandeiras voltadas à defesa da mulher serão mantidas, bem como de sua trajetória como a primeira mulher eleita senadora pela Paraíba e a primeira mulher a ocupar a Primeira-Secretaria do Senado Federal.

Com ClickPB