Indústria propõe aumentar biodiesel no combustível para resolver crise

Em uma tarde repleta de reuniões, o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, recebeu nesta quarta-feira (23) sugestões das indústrias de óleos vegetais e álcool para tentar resolver a crise em torno do preço dos combustíveis, especialmente gasolina e diesel. Entre as sugestões apresentadas estão o aumento da mistura de biodiesel no diesel, venda direta de etanol para os postos de gasolina e revisão das metas da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio).

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), propôs um aumento na mistura de biodiesel no Centro-Oeste como forma de forçar uma redução no preço do combustível.  A proposta específica para a região se justifica por ser onde se concentram os estados com a maior produção de soja do país, o que daria capacidade para suprir a demanda.

De acordo com a proposta, o setor tem capacidade de fornecer biodiesel suficiente para elevar a mistura com o diesel dos atuais 10% para 15%. A entidade estima que a medida, no curto prazo, pode levar a uma redução de R$ 0,10 por litro nas bombas dos postos da Região Centro-Oeste e, por consequência, levar a uma redução no restante do país. “Já é mais do que a redução da Cide [Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico]”, disse o presidente-executivo da Abiove, André Nasser.

Revisão de metas da Renovabio

A entidade também propõe uma revisão das metas do Renovabio, atualmente em discussão no Ministério de Minas e Energia. O programa tem por objetivo aumentar a produção de biocombustíveis no Brasil, para que o país cumpra os compromissos assumidos no Acordo de Paris de redução das emissões de gases de efeito estufa. Entre outros pontos, o Renovabio busca reduzir em 10,1% as emissões de gases de efeito estufa na matriz de combustíveis até 2028.

O programa prevê, entre outros pontos, o aumento gradual da mistura de biodiesel no diesel. Atualmente, a legislação determina em 10% o percentual da mistura. O setor propõe como saída de média prazo para a crise o aumento para 11% em 2019 e atingir a mistura de 15% já em 2023.

“A proposta atual em discussão no ministério é aumentar em 11% a mistura para 2020, subindo 1 ponto até 2023, quando chega em 15%. Nós trouxemos duas ideias: antecipar em 11% para 2019, mas isso requer uma revisão das metas de descarbonização do Renovabio, uma coisa tem que estar casada com a outra, e quando atingir 15% iniciar um cronograma para chegar em 20% daqui a dez anos”, disse.

De acordo com Nasser, a manutenção da paralisação dos caminhoneiros pode ter impacto na balança de exportações brasileira, puxada pela produção da soja. “A produção brasileira de soja provavelmente vai ser maior que a dos Estados Unidos da América, tudo depende de quanto tempo a greve vai durar. Por isso estamos fazendo tudo para que ela se encerre o mais breve possível. Para nós o que interessa agora é voltar ao escoamento normal dos produtos, porque só cerca de 40% da safra foi escoada e temos 60% para escoar”, disse.

Venda de etanol nos postos

O setor sucroenergético chegou a propor a possibilidade de venda direta de etanol para os postos. “O que ele [o ministro] pediu foram sugestões para aprimorar o modelo de distribuição de combustíveis no país. Para a gente, o modelo é defasado, ultrapassado e ele tem que ser reformado para aproximar o produtor do consumidor”, disse o vice-presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, Renato Cunha

Segundo Cunha, o modelo de distribuição tem 50 anos e não atende mais ao setor. “O nosso objetivo é fazer com que atuemos de forma mais direta com o consumidor, entrando e diminuindo margens de quem está no meio do caminho, seja pela diminuição de imposto ou do distribuidor que compra o nosso produto para revender”, disse. “Não queremos alijar o distribuidor, mas por que não se tem a possibilidade de vender diretamente cobrando todos os impostos?”

A diretora-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, disse que a possibilidade de venda direta a postos de combustível tem que ser melhor estudada. “Isso precisa ser estudado, não é uma medida simples. Só ver o tamanho da cidade de São Paulo para entender que distribuir combustível trazido do interior não é tarefa simples”, disse.

Segundo Elizabeth, o setor levou ao ministro a preocupação de o governo desonerar a gasolina. Para a diretora, isso poderia reduzir a competitividade da indústria do etanol. “Desonerar a gasolina pode ter como efeito a perda da competitividade do biocombustível. Já vimos isso no passado, o que gerou uma crise para a Petrobras, devido ao controle de preços, mas quem sofreu mais foi o etanol, e o resultado disso foram 80 usinas fechadas. Parece que houve uma evolução e decidiu-se desonerar o diesel e não a gasolina”, disse.

Com Agência Brasil

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A Comarca de Monteiro, no Cariri paraibano, viveu um momento histórico nesta quarta-feira (9) ao sediar, pela primeira vez, uma sessão itinerante conjunta do Órgão Especial e do Pleno do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB). A iniciativa aproxima as atividades da Justiça de 2º Grau da população do interior do Estado.

Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente do TJPB, desembargador Fred Coutinho, no Centro de Treinamento e Capacitação Educacional e de Cultura Alexandre da Silva Brito, no Centro de Monteiro, reunindo desembargadores, magistrados, representantes do Ministério Público, advocacia, autoridades municipais e integrantes da sociedade.

Ao abrir a sessão, Fred Coutinho ressaltou o caráter pioneiro da iniciativa e a satisfação de levar o Tribunal para mais perto dos paraibanos.

“Para mim é uma alegria muito grande estar à frente de uma iniciativa pioneira, que tem como propósito levar o Tribunal de Justiça e seus integrantes para junto da população das comarcas”, afirmou.

O presidente também agradeceu a receptividade encontrada no município. “Nossa gratidão a Monteiro, uma terra rica por seu povo, por sua cultura e, principalmente, por ter abraçado o Tribunal de Justiça da Paraíba”, acrescentou.

O vice-presidente do TJPB, desembargador João Batista Barbosa, destacou que a interiorização permite à sociedade conhecer mais de perto o funcionamento da Corte. “Essa é a ideia, fazer com que, cada vez mais, a Justiça aproxime-se do cidadão. Já estivemos em outras cidades e, hoje, é a vez de Monteiro”, pontuou.

O desembargador Carlos Martins Beltrão ressaltou a importância histórica de Monteiro para a Paraíba, inclusive pela contribuição de juristas e outros filhos da terra. Ele também reforçou que o Judiciário deve permanecer acessível à sociedade. “Hoje, estamos aqui, na vanguarda desse processo, distribuindo Justiça, que é o que fazemos todos os dias em nossas missões”, declarou.

Representando a magistratura local, o juiz da 1ª Vara Mista de Monteiro, Ronald Neves Pereira, avaliou que a presença do Tribunal no interior permite aos integrantes do Judiciário conhecer de perto as necessidades da população e, ao mesmo tempo, amplia o conhecimento dos cidadãos sobre as atividades desenvolvidas pela Corte.

“Espero que a iniciativa continue produzindo resultados e que contribua, cada vez mais, para aproximar o Poder Judiciário da população”, afirmou.

A prefeita de Monteiro, Ana Paula Morato, destacou que a realização da sessão representa um momento importante não apenas para o município, mas para todo o Cariri.

“É uma grande satisfação, não só para Monteiro, mas para toda a região do Cariri, receber esta sessão com tantos desembargadores que defendem os direitos e a Justiça”, ressaltou.

O procurador-geral de Justiça da Paraíba, Leonardo Quintans, também enfatizou a troca proporcionada pela interiorização. Segundo ele, a iniciativa possibilita às instituições conhecerem as dificuldades e necessidades locais, ao mesmo tempo em que aproxima a população do trabalho realizado pelo Tribunal.

Falando em nome da advocacia, Edilaine Araújo destacou que a presença do TJPB no Cariri representa um gesto de aproximação e diálogo com a sociedade. “A presença do Tribunal representa aproximação e diálogo. É também um reconhecimento de que a Justiça deve estar cada vez mais próxima da sociedade”, afirmou.

Durante a sessão, desembargadores também ressaltaram que a transferência temporária das atividades da sede do Tribunal, em João Pessoa, para diferentes regiões amplia o contato do Judiciário com magistrados, servidores, advogados, representantes de instituições e cidadãos.

A iniciativa itinerante já passou pelas comarcas de Campina Grande, Sousa, Guarabira e Patos. A programação terá continuidade ainda este ano em Cajazeiras, ampliando a presença do Tribunal de Justiça em diferentes regiões da Paraíba.

A Comarca de Monteiro também abrange os municípios de Camalaú, São João do Tigre, São Sebastião do Umbuzeiro e Zabelê.