Em seis anos, Paraíba fecha 194 lixões e encerra todos os depósitos de lixo a céu aberto

A Paraíba fechou 194 lixões e eliminou todos os depósitos de lixo a céu aberto no estado. A informação é do Ministério Público da Paraíba (MPPB), que anunciou o encerramento do Projeto Fim dos Lixões. Quando o projeto foi iniciado, em 2018, 86% dos municípios paraibanos despejavam resíduos em lixões.

Segundo o órgão ministerial, o ano de 2023 terminou com nove municípios ainda apresentando pendências em relação à destinação correta dos resíduos sólidos. De acordo com o relatório divulgado pelo Centro de Apoio Operacional (CAO) do Meio Ambiente, quatro cidades mantinham lixões ativos (MonteiroSerra BrancaSumé e Zabelê), quatro destinavam parte dos resíduos a aterros e parte a lixões (ArarunaJacaraúSão Bento e Pilar), e uma (Cuité) comunicou o encerramento do lixão, mas aguardava vistoria para confirmação.

O MPPB informou que propôs Acordos de Não Persecução Penal (ANPP) aos gestores municipais, estabelecendo prazos para o cumprimento da legislação. Inicialmente, 170 dos 223 gestores firmaram o compromisso. Nos anos seguintes, outros aderiram ao acordo.

Conforme o órgão, 58 prefeitos foram denunciados por não aceitar ou não cumprir os termos propostos. O procurador-geral de Justiça, Antônio Hortêncio Rocha Neto, afirmou que o maior desafio agora é manter a Paraíba como um estado livre de lixões.

“Houve uma parcela pequena de gestores que demorou para compreender a necessidade de pôr fim a esse crime ambiental que se arrastava na Paraíba, o que resultou em 58 denúncias e, até agora, cinco condenações. Vale ressaltar que o nosso objetivo não era a ação penal e, sim, a construção de aterros e soluções viáveis para o problema. Mas, ao fim, conseguimos o nosso intento, que era chegar a 100% dos municípios, conscientizando e atuando efetivamente para o cumprimento da lei. Por isso, celebramos o momento”, avaliou Antônio Hortêncio.

Ele ressaltou que a situação é dinâmica e que, mesmo com o encerramento do projeto, será necessário manter atenção constante ao tema, promovendo fiscalizações e evitando retrocessos.

O MPPB solicita o apoio da população para denunciar eventuais casos de retorno da prática de despejo irregular de resíduos, que configura crime ambiental. As denúncias podem ser realizadas na Promotoria de Justiça mais próxima ou protocoladas na Ouvidoria do MPPB, preferencialmente acompanhadas de provas, como fotos e vídeos.

Com G1

DE OLHO NO CARIRI

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Dados extraídos pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro revelam que o dono do Banco Master se definia como “o número 1” do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Nos diálogos obtidos pelo Blog de Malu Gaspar, de O Globo, o banqueiro também se refere ao parlamentar como “irmão”.

Em 2 de fevereiro de 2025, em conversa com seu diretor jurídico, Luiz Rennó, Vorcaro afirma que estava em Brasília “com Davi e Hugo”, uma referência ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e ao próprio Motta. O dono do Master é questionado pelo advogado se “transita bem” com o deputado, e responde:

“Transito bem? Kkkk. Sou ‘number 1’. Amigo irmão”, escreveu Vorcaro.

No dia anterior, Motta havia sido eleito o novo presidente da Câmara em primeiro turno, com 444 votos, apoiado por 17 partidos, entre eles o PL e o PT. Alcolumbre também venceu a eleição para comandar o Senado na mesma data, com 73 votos de 81 possíveis.

Questionado por meio de sua assessoria, Hugo Motta ainda não se manifestou sobre o teor das mensagens. O espaço segue aberto.

Custeio de viagens

Em junho deste ano, a PF apontou que Vorcaro custeou estadias para Motta durante uma viagem para Lisboa, em 2024. À época, o presidente da Câmara afirmou “não ver problemas” no pagamento das diárias, já que se tratava de um evento “corporativo e jurídico”.

De acordo com a investigação da PF, Vorcaro bancou suítes em um hotel de Lisboa para Motta e para o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O presidente nacional do PP é suspeito de ter recebido vantagens indevidas do banqueiro por ter atuado em favor de seu banco no Congresso Nacional.

Uísque e charutos

Em 14 de maio de 2024, Motta também foi um das autoridades que estiveram presentes em uma degustação exclusiva de uísque e charuto promovida por Vorcaro em Nova York, segundo o GLOBO. O encontro ocorreu no Carnegie Club, luxuoso lounge de Manhattan, e a conta total no estabelecimento foi de US$ 1.023.646 — R$ 5.257.036 na conversão feita pela PF.

Dois meses antes, em março de 2024, a cunhada de Motta, Bianca Medeiros, fez um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões com o Master, conforme divulgado pelo jornal “Folha de S. Paulo”. O crédito serviu para comprar um terreno em João Pessoa.

Mensagens divulgadas anteriormente também mostram que Motta era recebido por Vorcaro em casa. Em março de 2025, em conversa com a então namorada Martha Graeff, o dono do Master é questionado se estava com alguém, e responde que “Hugo e Ciro” chegaram em sua casa para “falar com Alexandre”, uma referência ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Texto: Blog de Malu Gaspar, de O Globo