Operação mira ‘maior liderança do tráfico’ na PB; Justiça determina bloqueio de R$ 104 mi

A Polícia Civil da Paraíba deflagrou na manhã desta quinta-feira (26) a Operação Argos, que desarticula uma organização criminosa da maior liderança do tráfico de drogas na Paraíba e regiões do Sertão de Pernambuco e Ceará.

São cumpridas ordens judiciais nos estados da Paraíba, São Paulo, Bahia e Mato Grosso. Na ação foram bloqueados mais de R$ 104 milhões em contas bancárias de 199 alvos. Além do sequestro de 13 imóveis de luxo e de 40 Veículos, incluindo carros esportivos e frotas de transporte, avaliados em mais de R$ 10 milhões.

O cerco ao gigante

A investigação teve gênese em meados de 2023. Naquela ocasião, a DRACO e forças parceiras iniciaram uma sequência de apreensões recordes de carregamentos de entorpecentes em território paraibano. O cruzamento de dados de inteligência revelou que todas as cargas pertenciam a um único proprietário: JAMILTON ALVES FRANCO, vulgo “CHOCÔ”.

A partir da análise dos aparelhos celulares apreendidos e da quebra de sigilos bancários, a Polícia Civil descortinou uma estrutura criminosa de poder financeiro abissal, que operava como uma verdadeira holding do crime interestadual.

Vida pregressa e conexão com a cúpula do PCC

O líder da organização, JAMILTON ALVES FRANCO (“CHOCÔ”), é natural de Cajazeiras/PB, mas migrou para o estado de São Paulo ainda na juventude. Sua trajetória no crime não foi linear; dentro do sistema prisional paulista, Franco ascendeu socialmente no submundo ao estabelecer conexões diretas com o Núcleo “Sintonia” do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A “Sintonia” é a cúpula máxima que dita as diretrizes operacionais e disciplinares da referida facção. Ao integrar-se a essa engrenagem de poder, “CHOCÔ” obteve a logística necessária para se tornar o principal hub de distribuição de cocaína e maconha para o Nordeste.

Sua ascensão financeira foi meteórica: o paraibano, que outrora era um criminoso comum, passou a ostentar uma vida nababesca, com viagens luxuosas, veículos esportivos de alto padrão e uma rede de imóveis de luxo, tudo financiado pela dependência química de milhares de paraibanos.

Cronologia das apreensões

A investigação foi pavimentada por apreensões que somam prejuízos que superam os R$ 100 milhões para a Organização Criminosa (ORCRIM).

Apreensões relevantes:

• Maio de 2023 (Patos/PB): Apreensão de 150kg de cocaína escondidos em um caminhão Scania. Prejuízo: R$ 27 milhões.

• Junho de 2023 (Cajazeiras/PB): Apreensão de 400kg de drogas (380kg de maconha e 20kg de cocaína). Prejuízo: R$ 6,8 milhões.

• Outubro de 2023 (Conceição/PB): Apreensão recorde de 1 tonelada de drogas. Prejuízo: R$ 46 milhões.

• Dezembro de 2024 (Patos/PB): Interceptação de 30kg de drogas. Prejuízo: R$ 1,5 milhão.

• Fevereiro de 2025 (São José de Piranhas/PB): Apreensão de 80kg de cocaína pura com selo “Tio Patinhas”. Prejuízo: R$ 10 milhões.

• Setembro de 2025 (Patos/PB): Apreensão de 50kg de entorpecentes. Prejuízo: R$ 1 milhão.

Operação Argos

O nome da operação remete ao gigante mitológico Argos Panoptes, o guardião de cem olhos que nunca dormia totalmente.

A ofensiva mobiliza um efetivo histórico de mais de 400 policiais civis e conta com o suporte do GAECO/MPPB, forças especializadas como o GOE, GOC, UNINTELPOL, Coordeam, as Delegacias de Repressão a Entorpecentes (DRE-JP e DRE-CG) e Delegacias estratégicas da 1ª, 2ª e 3ª Superintendências. No estado de São Paulo, a operação contou com o apoio fundamental da Polícia Civil paulista, por intermédio do DENARC/PCSP, do DEIC de São Bernardo do Campo/PCSP e do DEIC de Piracicaba/PCSP, além da colaboração das Polícias Civis da Bahia e Mato Grosso.

Arquitetura da organização criminosa

A ORCRIM era estruturada em núcleos profissionais com dezenas de integrantes identificados, separados nos Núcleos Gerencial e Núcleo Paraíba, sendo eles:

Transporte: Utilização de carretas de transportadoras lícitas para camuflar drogas em cargas lícitas ou veículos de apoio.

Varejo Operacional: Subnúcleos na Paraíba que pulverizavam a droga para o consumidor final.

Financeiro/Lavagem: Um esquema sofisticado de integração de capitais que movimentou cerca de meio bilhão de reais desde 2023.

Operadores de Destaque na Lavagem:

• Giovanna Parafatti: Ex-bancária com profundo conhecimento do sistema financeiro. Movimentou mais de R$ 15 milhões através de uma holding familiar e da empresa de fachada G Parafatti S Administrativos. Utilizava familiares para pulverizar recursos e adquirir veículos esportivos para a cúpula da ORCRIM.

• Naiara Batistelo: Médica formada na Bolívia e atuante no Mato Grosso. Atuava como um “hub” de liquidez na fronteira, recebendo mais de R$ 10,9 milhões em 29 meses. A suspeita é que seu histórico acadêmico na Bolívia facilitou sua cooptação como “laranja financeira” no comércio transfronteiriço de cocaína.

A Infiltração em Licitações Públicas:

A investigação revelou um braço perigoso da ORCRIM: a tentativa de lavagem de dinheiro através de contratos públicos.

• AF Amaro Construções (Pombal/PB): Recebeu quase R$ 3 milhões em empenhos públicos em 2024 para serviços de esgoto e lixo, sem possuir funcionários registrados. O dinheiro público era usado para irrigar o tráfico de drogas liderado por Luciano Moraes.

• Empresa de Goiás: Com apenas um funcionário, transacionava milhões com o narcotráfico da Paraíba e possuía sócios envolvidos em crimes licitatórios em Minas Gerais.

Diligências e mandados judiciais

A Operação ARGOS cumpre mandados em 13 cidades: João Pessoa, Campina Grande, Areia, Alagoa Nova, Patos, Pombal, Sousa, Cajazeiras (PB); São Paulo, São Bernardo do Campo, Hortolândia (SP); Cândido Sales (BA) e Nova Santa Helena (MT).

Resumo das Medidas Judiciais:

• 44 Mandados de Prisão Preventiva (32 na PB, 10 em SP, 1 na BA, 1 no MT).
• 45 Mandados de Busca e Apreensão.
• Bloqueio de R$ 104.881.124,34 em contas bancárias de 199 alvos.
• Sequestro de 13 Imóveis de luxo.
• Sequestro de 40 Veículos, incluindo carros esportivos e frotas de transporte, avaliados em mais de R$ 10 milhões.

MaisPB

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A Prefeitura de Sumé, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, realizou nesta sexta-feira mais uma Feira de Saúde na zona rural. A ação aconteceu na Unidade Âncora de Saúde da comunidade Riacho da Roça e reuniu moradores da localidade e de comunidades vizinhas.

Ao todo, 153 atendimentos foram realizados durante a programação, que concentrou diferentes serviços de saúde em um único local. Os moradores tiveram acesso a consultas médicas e de enfermagem, atendimento odontológico por meio da unidade móvel, vacinação, marcação de consultas, emissão e atualização do Cartão SUS, coleta para exames laboratoriais, fisioterapia e regulação de exames.

A Farmácia também esteve presente durante a ação. Com isso, os pacientes que receberam prescrição e tinham o medicamento disponível puderam sair do atendimento já com o remédio em mãos.

Segundo a secretária municipal de Saúde, Niedja Rodrigues, a Feira de Saúde permite levar para as comunidades serviços que normalmente exigiriam o deslocamento dos moradores para a cidade.

“Na feira de hoje, fizemos questão de trazer mais serviços. Tivemos dois médicos, laboratório, farmácia, fisioterapia e regulação de exames, para que o usuário possa sair daqui com o exame regulado e, quando necessário, com o medicamento em mãos”, explicou.

A Unidade Âncora do Riacho da Roça já funciona regularmente a cada 15 dias, com atendimento médico, de enfermagem e odontológico, além da atuação de técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde. Nesta sexta-feira, a estrutura foi ampliada com a presença de outros profissionais e serviços.

O atendimento odontológico também terá continuidade. A unidade móvel permanecerá na região por mais uma semana, permitindo que outros moradores tenham acesso ao serviço.

O prefeito de Sumé, Manezinho Lourenço, acompanhou a programação e destacou a importância de levar os atendimentos para mais perto das comunidades rurais.

“A gente sabe da dificuldade de quem mora na zona rural para se deslocar em busca de atendimento. Por isso, é importante trazer os serviços para perto dessas pessoas e garantir que elas tenham acesso ao atendimento de que precisam”, afirmou.

Além dos serviços de saúde, 30 crianças receberam kits escolares por meio do programa Criança na Escola.

A Feira de Saúde já passou pelo Assentamento Mandacaru e pelo Sítio Santo Agostinho. A próxima edição está programada para o dia 11 de setembro, na comunidade do Sítio Jurema.

Também acompanharam a ação o secretário municipal de Obras, Serviços Urbanos e Agricultura, Vicente Lourenço, e o vereador Damião Rildo.

De Olho no Cariri

Ascom – Prefeitura de Sumé