TJPB condena deputado a nove anos de reclusão, inelegibilidade e perda de mandato

A ação movida pelo Ministério Público da Paraíba contra o deputado estadual Buba Germano (PSB), foi julgada pelo Pleno do Tribunal de Justiça do Estado, em sessão realizada nesta quarta-feira, 02.

O deputado foi acusado pelo MP de ter, no ano de 2005, cometido crimes de responsabilidade ao utilizar uma empresa fantasma para realizar a parte social da Festa de São Sebastião, feito pagamentos à esta empresa com recursos públicos, quando, na realidade, houve cobrança de ingressos aos participantes, feita pelos próprios funcionários da Prefeitura. Além disso, o Ministério Público acusa o deputado – na época prefeito do município de Picuí – de ter arrematado itens do tradicional Leilão de São Sebastião, pagando arremates com um cheque da Prefeitura Municipal.

O relator do processo, Desembargador Ricardo Vital de Almeida, entendeu como caracterizada a prática dos crimes de responsabilidade outrora mencionados e votou pela condenação do deputado Buba Germano a nove anos de reclusão, a serem cumpridos em regime fechado sem a possibilidade de substituição da pena por prestação de serviços à comunidade ou multa, além de ter aplicado ao então deputado a pena de inelegibilidade por cinco anos, perda do mandato de deputado estadual e impossibilidade de ocupar outras funções públicas.

O voto do relator foi acompanhado pelos outros dezesseis desembargadores, tendo sido aprovado por unanimidade.

O juiz revisor, Dr. Eslu Eloy Filho, ao parabenizar e acompanhar o voto do relator destacou que o dolo foi “premeditado”.

“Uma coisa é você estar no cargo e surgir um propósito delituoso. Outro é você tê-lo antes de assumir. Merece uma reprovação maior! Agiu sem lisura, sem ética!”, afirmou o magistrado.

O juiz Carlos Lisboa também acompanhou o relator e reprovou a conduta do réu Buba Germano, fazendo uma crítica também à morosidade judiciária: “Já na sua entrada, logo na sua estreia, faz uma ação desse tipo que espanta a todos e nós estamos com 15 anos a julga-lo ainda em 1ª instância. Embora seja no Tribunal, mas, diante das idas e vindas dos cargos que ocupou, isso contribuiu com certeza para o retardo”.

O desembargador Carlos Martins Beltrão também acompanhou o relator e não poupou críticas ao ato criminoso praticado: “Mal chegou ao cargo de edil e já havia um plano. Ele confabulou tudo isso antes de assumir, porque a festa foi de 14 a 19 de janeiro. Ele assumiu dia 1°. Quer dizer, duas semanas após isso não poderia ser levado a efeito se não fosse toda uma preparação antecipada, uma conversa antecipada para, aí sim, bancar a festa e misturar privado com público numa situação dessas”.

O juiz João Batista também fez duras críticas a Buba Germano: “A vontade dele era outra: era, por tabela, utilizar a entidade religiosa para se beneficiar. Tudo isso só causa na gente perplexidade. O administrador tem que dar o exemplo daquilo que ele faz. Dar esmola com o chapéu alheio, como disse o revisor, é a coisa mais pecaminosa que pode acontecer”.

O próximo passo será a publicação do acórdão em Diário Oficial. Após a publicação, se iniciará o prazo para interposição de eventuais embargos de declaração ao próprio Tribunal de Justiça da Paraíba. Além dos embargos de declaração, ainda cabe recurso ao Superior Tribunal de Justiça, em Brasília.

Esta é a primeira condenação criminal do deputado Buba Germano e a segunda condenação colegiada. A primeira ocorreu no Tribunal de Contas da União, também envolvendo a utilização de recursos públicos em festividades, naquele caso a Festa da Carne de Sol.

Com duas condenações colegiadas, fortalece a tese de que o deputado não terá mais condições jurídicas de lançar-se candidato nas próximas eleições, por enquadramento nas hipóteses da popular Lei da Ficha Limpa. O nome mais cotado para sucedê-lo é o de sua esposa, a ex-deputada Gilma Germano, que concorreu ao cargo de prefeita de Picuí nas últimas eleições e foi derrotada pelo atual prefeito Olivânio Remígio.

Com polêmica Paraíba

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A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) sobre crise que atinge a Corte terminou com 4 votos a 3 para manter separadas as análises pelo Supremo das condutas de Alexandre de Moraes, na relação com Daniel Vorcaro, e de André Mendonça, na condução do relatório do caso Master.

Presidente do STF e relator da sessão desta terça, Edson Fachin votou para manter a separação dos casos após uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. Fachin foi acompanhado pelos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

Já Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram para que as análises sejam conjuntas. O ministro Flávio Dino, que havia votado com essa corrente, mudou o voto para um pedido de vista, o que suspendeu o julgamento.

Fachin foi o primeiro a votar

Na tarde desta terça, após a retomada do julgamento iniciado na manhã, o presidente do STF se posicionou contra uma questão de ordem, um questionamento, apresentado pelo ministro Gilmar Mendes, que defendeu o julgamento conjunto dos relatórios com informações da Polícia Federal sobre os dois ministros.

Fachin também foi contra a redistribuição do relatório sobre Alexandre de Moraes, que puxou para o seu gabinete. Gilmar defendia que houvesse um sorteio para a definição de um novo relator, alegando que é isto que está previsto no Regimento Interno da Corte.

“Quero, desde logo, me manifestar no sentido de manter não apenas a separação entre os julgamentos. Portanto, voto no sentido de prosseguir o julgamento de hoje, bem como, de não levar a efeito o apensamento [reunião] dos feitos mencionados e, por via de consequência, fica prejudicada a redistribuição na forma regimental”, disse Fachin.

André Mendonça vota para julgar seu caso e o de Moraes separadamente

O ministro André Mendonça acompanhou o voto de Fachin.

“Entendo não haver as mesmas bases fáticas. O que há, em relação a mim, é um suposto relatório de inteligência, um relatório ilegal, com monitoramento e coleta seletiva de dados de ministros do STF e de outras autoridades, em uma atividade própria de uma PF paralela. Documento ilegal, que o próprio documento fala que é sem valor probatório. São questões fáticas e jurídicas totalmente distintas”, disse Mendonça.

Fux e Cármen Lúcia também acompanharam Fachin e Mendonça.

Dino abriu divergência

Fachin foi o primeiro a votar sobre a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, contra a proposta de Gilmar.

Na sequência, ministro Flávio Dino abriu divergência e votou pela conexão dos dois casos, acompanhando o entendimento de Gilmar Mendes.

“Presidente, me parece que o encaminhamento é de respeitar a conexão, que nos trouxe até aqui. E por isso eu considero que o encaminhamento contido na questão de ordem do ministro Gilmar é aquela que preserva melhor o nosso papel de provedores de justiça e de segurança jurídica”, disse Dino.

O ministro Cristiano Zanin acompanhou Dino na divergência, votando a favor da questão de ordem de Gilmar.

“Para não ser repetitivo, eu vou adiantar, pedindo vênia a Vossa Excelência, que eu estou acompanhando o eminente ministro Gilmar Mendes na questão de ordem trazida e faço apenas algumas anotações complementares”, disse Zanin.

Na sequência, Zanin disse que, na avaliação dele, o ministro André Mendonça não deveria votar na análise do relatório das mensagens de Vorcaro a Alexandre de Moraes.

Posteriormente, Moraes se posicionou pela análise conjunta da sua situação com a do ministro André Mendonça.

“Nós estamos com um risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual, julgando as mesmas coisas, só que com o sinal invertido, os mesmos fundamentos, cada qual de um lado, com sinal invertido hoje [caso Moraes] e na próxima quarta-feira [sobre Mendonça]. Então presidente com essas com essas considerações, pedindo todas as vênias a Vossa Excelência, acompanho a questão de ordem do ministro Gilmar”, disse Moraes.

Ocorre que, posteriormente, após um bate-boca entre Gilmar Mendes e André Mendonça, Flávio Dino mudou sua posição, dizendo que estava passando a pedir vista.

Com isso, o placar ficou 4 a 3 para manter separadas as questões dos dois ministros.

Entenda a crise no STF

‘Não há pedido para abrir uma investigação criminal’, diz Moraes

A crise se intensificou após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de relatórios da Polícia Federal sobre as investigações do Banco Master.

Um dos documentos apontou 52 mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de encontros presenciais entre os dois e de um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes.

A divulgação dos documentos provocou um confronto entre Moraes e André Mendonça, relator das investigações do caso Master.

Moraes acusou o colega de fazer uma liberação “seletiva” dos autos e de omitir documentos. Mendonça negou e afirmou que manteve sob sigilo apenas informações necessárias para preservar investigações em andamento e dados de terceiros.

A disputa também envolveu o acesso às provas extraídas do celular de Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso integral ao material.

Após determinação de Zanin, a PF confirmou, na segunda-feira (14), ter entregue cópias do acervo digital aos três gabinetes. A PGR também se manifestou a favor da ampliação do acesso aos documentos.

Diante do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu separar os processos. O caso que envolve as mensagens entre Vorcaro e Moraes será analisado pelo Plenário nesta terça-feira (15).

Já as acusações de Moraes contra Mendonça ficaram para 23 de setembro.

Com Portal G1