Gaeco apresenta nova denúncia contra Ricardo Coutinho e mira em contrato da Cruz Vermelha com Hospital de Trauma

O ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, foi alvo de mais uma denúncia no âmbito da Operação Calvário. Nesta terça-feira (14) o Grupo de de Atuação Especial Contra o Crime Organizado do Ministério Público do Estado da Paraíba (Gaeco/MPPB) apresentou uma nova denúncia à Justiça com base nas investigações desenroladas a partir da Operação Calvário. O documento se refere a irregularidades no contrato firmado entre a Cruz Vermelha e o Hospital de Trauma no ano de 2012.

Desta vez, o Gaeco investiga contrato da Cruz Vermelha do Brasil com o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa. A informação foi dada em primeira mão pelo jornalista Clilson Júnior no programa Arapuan Verdade, da Arapuan FM.

A nova ação foi protocolada na 7ª Vara Criminal da Capital classificada como peculato, que é o crime praticado por funcionários públicos contra a administração pública. De acordo com a denúncia, o esquema criminoso desviou mais de R$ 50 milhões entre 2011 e 2019.

Além de Ricardo Coutinho, também estão na denúncia Daniel Gomes da Silva, Livânia Maria da Silva Farias, Waldson Dias de Souza, Claudia Luciana de Sousa Mascena Veras, Karla Michele Vitorino Maia, Leandro Nunes Azevedo, Saulo de Avelar Esteves, Ricardo Elias Restum Antonio, Milton Pacífico José de Araújo, Saulo Pereira Fernandes, Keydison Samuel de Sousa Santiago e Michelle Louzada Cardoso.

A denúncia oferecida detalha que a continuidade da terceirização dos serviços no Hospital de Trauma proporcionou o o aperfeiçoamento do modelo de governança considerado corrupto, que foi orquestrado principalmente por Ricardo Coutinho e Daniel Gomes. Além disso, também foi constatado que o esquema proporcionou a estabilização financeira e a longa permanência dos integrantes deste grupo na administração pública da Paraíba, além do enriquecimento ilícito dos integrantes, tanto do núcleo político quanto familiar.

Na denúncia, o Ministério Público pede a instauração do processo penal-constitucional para que possa ser proferida sentença condenatória. Os promotores pedem também que seja arbitrado um dano mínimo no montante de R$ 49.307.156,11 a ser revertido ao Estado da Paraíba. Além disso, também é requerida a perda de função, cargo, emprego ou mandato eletivo.

A Operação Calvário, deflagrada pelo Gaeco, investiga a formação de um esquema criminoso durante a gestão do ex-governador Ricardo Coutinho formado com objetivo de articular desvios de verba pública nas secretarias de Saúde e Educação. Desde o início dos trabalhos investigativos já foram apresentadas várias denúncias à Justiça no sentido de esmiuçar o esquema criminoso e detalhar todas as suas ações.

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Dados extraídos pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro revelam que o dono do Banco Master se definia como “o número 1” do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Nos diálogos obtidos pelo Blog de Malu Gaspar, de O Globo, o banqueiro também se refere ao parlamentar como “irmão”.

Em 2 de fevereiro de 2025, em conversa com seu diretor jurídico, Luiz Rennó, Vorcaro afirma que estava em Brasília “com Davi e Hugo”, uma referência ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e ao próprio Motta. O dono do Master é questionado pelo advogado se “transita bem” com o deputado, e responde:

“Transito bem? Kkkk. Sou ‘number 1’. Amigo irmão”, escreveu Vorcaro.

No dia anterior, Motta havia sido eleito o novo presidente da Câmara em primeiro turno, com 444 votos, apoiado por 17 partidos, entre eles o PL e o PT. Alcolumbre também venceu a eleição para comandar o Senado na mesma data, com 73 votos de 81 possíveis.

Questionado por meio de sua assessoria, Hugo Motta ainda não se manifestou sobre o teor das mensagens. O espaço segue aberto.

Custeio de viagens

Em junho deste ano, a PF apontou que Vorcaro custeou estadias para Motta durante uma viagem para Lisboa, em 2024. À época, o presidente da Câmara afirmou “não ver problemas” no pagamento das diárias, já que se tratava de um evento “corporativo e jurídico”.

De acordo com a investigação da PF, Vorcaro bancou suítes em um hotel de Lisboa para Motta e para o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O presidente nacional do PP é suspeito de ter recebido vantagens indevidas do banqueiro por ter atuado em favor de seu banco no Congresso Nacional.

Uísque e charutos

Em 14 de maio de 2024, Motta também foi um das autoridades que estiveram presentes em uma degustação exclusiva de uísque e charuto promovida por Vorcaro em Nova York, segundo o GLOBO. O encontro ocorreu no Carnegie Club, luxuoso lounge de Manhattan, e a conta total no estabelecimento foi de US$ 1.023.646 — R$ 5.257.036 na conversão feita pela PF.

Dois meses antes, em março de 2024, a cunhada de Motta, Bianca Medeiros, fez um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões com o Master, conforme divulgado pelo jornal “Folha de S. Paulo”. O crédito serviu para comprar um terreno em João Pessoa.

Mensagens divulgadas anteriormente também mostram que Motta era recebido por Vorcaro em casa. Em março de 2025, em conversa com a então namorada Martha Graeff, o dono do Master é questionado se estava com alguém, e responde que “Hugo e Ciro” chegaram em sua casa para “falar com Alexandre”, uma referência ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Texto: Blog de Malu Gaspar, de O Globo