Lei eleitoral impediu liberação de recurso do BNDES para Museu Nacional

Bombeiros e Defesa Civil trabalham após incêndio no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A interpretação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre a lei eleitoral impediu a liberação dos recursos que foram autorizados em junho para o Museu Nacional, explicou esta segunda-feira (3) o presidente do banco, Dyogo Oliveira. O contrato, assinado durante as comemorações de 200 anos da instituição, previa a destinação de R$ 21,7 milhões para a terceira fase do plano de investimento de revitalização do museu.

“Nós estamos finalizando a avaliação jurídica. Nós havíamos pedido um prazo para a análise dessa questão e devemos concluir muito rapidamente até em virtude dos fatos”, disse Oliveira após participar do Congresso Brasileiro de Mercado de Capitais, em São Paulo. Segundo o presidente do BNDES, a proposta inicial apresentada ao banco não contemplava a questão da segurança e, por solicitação da equipe do banco, foi incluída, o que também implicou em mais tempo para liberação da verba.

Há previsão que R$ 3 milhões sejam liberados em outubro. “Esse dinheiro está disponível, a questão é como vamos redirecionar em virtude das condições que mudaram”, disse Oliveira. Ele destacou que o recurso será redirecionado para a restauração do prédio e que “há possibilidade de ampliação da verba”. O presidente do BNDES, no entanto, não apontou valores. “Depende de uma avaliação com a direção do museu, com a direção da UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro] para avaliar necessidades, principalmente em virtude da urgência”, apontou.

Oliveira informou que outros projetos de revitalização ou restauração apoiados pelo banco devem entrar na mesma avaliação sobre o impedimento do período eleitoral. Ele citou como exemplo o recurso aprovado para a Igreja de São Francisco de Assis, em Mariana (MG), que será anunciado amanhã (4). “Há um procedimento contínuo de análise e aprovação desses projetos. Com certeza, o de Mariana, aprovado amanhã, vai entrar nesse processo também”, apontou.

Ele avalia que não cabe responsabilização do banco neste caso. “Temos que procurar compreender a origem, as causas dessas questões e não tentar imputar ao BNDES, enquanto patrocinador, apoiador, uma possível responsabilidade, não cabe isso. O BNDES procurou ajudar dentro das suas possibilidades e o fez da melhor maneira possível”, disse.

Sobre a avaliação legal de cada projeto, Oliveira lembrou que o banco de desenvolvimento responde ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público. “Cada projeto tem um tempo e é preciso compreender que legislação tem que ser cumprida”, apontou.

Segundo o presidente, o banco apoiou cerca de 180 iniciativas como esta, relacionadas ao patrimônio histórico nacional, ao longo dos últimos 20 anos, com aproximadamente R$ 600 milhões. “São recursos vultuosos, ação que BNDES tem maior carinho que a gente tem feito quase que isoladamente no país, então a gente só tem a lamentar neste caso que os recursos não tenham chegado a tempo de recuperar também o Museu Nacional”, declarou.

Mercado de capitais

Ao participar do evento com representantes do mercado de capitais, Dyogo Oliveira apresentou dados sobre o lançamento de debêntures de infraestrutura no primeiro semestre deste ano e destacou que a participação do mercado tenha aumentado. “O BNDES desembolsou R$ 11 bilhões para infraestrutura e nós tivemos R$ 10,9 milhões emissões de debentures de infraestrutura e o BNDES aprovou R$ 10,7 bilhões, portanto, hoje, neste exato momento estamos meio a meio: BNDES e mercado”.

Com Agência Brasil

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A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) sobre crise que atinge a Corte terminou com 4 votos a 3 para manter separadas as análises pelo Supremo das condutas de Alexandre de Moraes, na relação com Daniel Vorcaro, e de André Mendonça, na condução do relatório do caso Master.

Presidente do STF e relator da sessão desta terça, Edson Fachin votou para manter a separação dos casos após uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. Fachin foi acompanhado pelos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

Já Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram para que as análises sejam conjuntas. O ministro Flávio Dino, que havia votado com essa corrente, mudou o voto para um pedido de vista, o que suspendeu o julgamento.

Fachin foi o primeiro a votar

Na tarde desta terça, após a retomada do julgamento iniciado na manhã, o presidente do STF se posicionou contra uma questão de ordem, um questionamento, apresentado pelo ministro Gilmar Mendes, que defendeu o julgamento conjunto dos relatórios com informações da Polícia Federal sobre os dois ministros.

Fachin também foi contra a redistribuição do relatório sobre Alexandre de Moraes, que puxou para o seu gabinete. Gilmar defendia que houvesse um sorteio para a definição de um novo relator, alegando que é isto que está previsto no Regimento Interno da Corte.

“Quero, desde logo, me manifestar no sentido de manter não apenas a separação entre os julgamentos. Portanto, voto no sentido de prosseguir o julgamento de hoje, bem como, de não levar a efeito o apensamento [reunião] dos feitos mencionados e, por via de consequência, fica prejudicada a redistribuição na forma regimental”, disse Fachin.

André Mendonça vota para julgar seu caso e o de Moraes separadamente

O ministro André Mendonça acompanhou o voto de Fachin.

“Entendo não haver as mesmas bases fáticas. O que há, em relação a mim, é um suposto relatório de inteligência, um relatório ilegal, com monitoramento e coleta seletiva de dados de ministros do STF e de outras autoridades, em uma atividade própria de uma PF paralela. Documento ilegal, que o próprio documento fala que é sem valor probatório. São questões fáticas e jurídicas totalmente distintas”, disse Mendonça.

Fux e Cármen Lúcia também acompanharam Fachin e Mendonça.

Dino abriu divergência

Fachin foi o primeiro a votar sobre a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, contra a proposta de Gilmar.

Na sequência, ministro Flávio Dino abriu divergência e votou pela conexão dos dois casos, acompanhando o entendimento de Gilmar Mendes.

“Presidente, me parece que o encaminhamento é de respeitar a conexão, que nos trouxe até aqui. E por isso eu considero que o encaminhamento contido na questão de ordem do ministro Gilmar é aquela que preserva melhor o nosso papel de provedores de justiça e de segurança jurídica”, disse Dino.

O ministro Cristiano Zanin acompanhou Dino na divergência, votando a favor da questão de ordem de Gilmar.

“Para não ser repetitivo, eu vou adiantar, pedindo vênia a Vossa Excelência, que eu estou acompanhando o eminente ministro Gilmar Mendes na questão de ordem trazida e faço apenas algumas anotações complementares”, disse Zanin.

Na sequência, Zanin disse que, na avaliação dele, o ministro André Mendonça não deveria votar na análise do relatório das mensagens de Vorcaro a Alexandre de Moraes.

Posteriormente, Moraes se posicionou pela análise conjunta da sua situação com a do ministro André Mendonça.

“Nós estamos com um risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual, julgando as mesmas coisas, só que com o sinal invertido, os mesmos fundamentos, cada qual de um lado, com sinal invertido hoje [caso Moraes] e na próxima quarta-feira [sobre Mendonça]. Então presidente com essas com essas considerações, pedindo todas as vênias a Vossa Excelência, acompanho a questão de ordem do ministro Gilmar”, disse Moraes.

Ocorre que, posteriormente, após um bate-boca entre Gilmar Mendes e André Mendonça, Flávio Dino mudou sua posição, dizendo que estava passando a pedir vista.

Com isso, o placar ficou 4 a 3 para manter separadas as questões dos dois ministros.

Entenda a crise no STF

‘Não há pedido para abrir uma investigação criminal’, diz Moraes

A crise se intensificou após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de relatórios da Polícia Federal sobre as investigações do Banco Master.

Um dos documentos apontou 52 mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de encontros presenciais entre os dois e de um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes.

A divulgação dos documentos provocou um confronto entre Moraes e André Mendonça, relator das investigações do caso Master.

Moraes acusou o colega de fazer uma liberação “seletiva” dos autos e de omitir documentos. Mendonça negou e afirmou que manteve sob sigilo apenas informações necessárias para preservar investigações em andamento e dados de terceiros.

A disputa também envolveu o acesso às provas extraídas do celular de Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso integral ao material.

Após determinação de Zanin, a PF confirmou, na segunda-feira (14), ter entregue cópias do acervo digital aos três gabinetes. A PGR também se manifestou a favor da ampliação do acesso aos documentos.

Diante do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu separar os processos. O caso que envolve as mensagens entre Vorcaro e Moraes será analisado pelo Plenário nesta terça-feira (15).

Já as acusações de Moraes contra Mendonça ficaram para 23 de setembro.

Com Portal G1