Congresso promulga PEC que acaba com a escala 6×1 nesta sexta-feira (16)

O Congresso Nacional promulga, nesta sexta-feira (16), a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala de trabalho 6×1 no Brasil. A sessão solene deve começar às 9h e ocorre dois dias após a aprovação definitiva do texto pelos senadores, em meio a uma disputa política entre o governo e a oposição sobre a medida.

Considerado um trunfo político para o governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou o fim da escala 6×1 como uma conquista histórica dos trabalhadores. O chefe do Executivo, inclusive, irá participar da cerimônia. O petista tem a redução da jornada de trabalho como uma de suas principais bandeiras para a disputa eleitoral e quer explorar a “foto” da consolidação da medida no Legislativo.

Na noite de quarta-feira (14), o Senado aprovou da PEC em dois turnos em uma votação com enorme apoio, sendo que 75 parlamentares foram favoráveis e apenas um contrário. O texto já havia sido aceito pela Câmara dos deputados em maio deste ano. A aprovação ocorreu depois de uma mudança por parte da oposição, que chegou a negociar um possível adiamento da análise após o segundo turno das eleições presidenciais.Play Video

Pouco antes da votação no Senado, parlamentares da direita decidiram apoiar o fim da escala 6×1. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, anunciou ainda na terça-feira (13) que votaria a favor da proposta, mas manifestou preocupação com os custos da mudança para as empresas.

O senador participou da análise da PEC remotamente, enquanto cumpria agenda eleitoral em Porto Alegre, e votou favoravelmente ao fim da escala de trabalho da 6×1. No entanto, para a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), a mudança de posição da oposição se tratou de um cálculo eleitoral.

Como o Senado manteve o texto aprovado pela Câmara anteriormente, a proposta não precisou retornar à análise dos deputados. Por se tratar de uma emenda constitucional, a medida não depende de sanção presidencial. Depois disso, o texto é publicado no Diário Oficial da União, e passam a contar os prazos de transição.

O que diz a PEC da 6×1

O texto reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, assegura dois dias de repouso semanal remunerado e impede a redução de salários. A garantia vale para os contratos já existentes e alcança também os pisos salariais das categorias.

A mudança não será imediata. A PEC prevê uma transição de 14 meses, contados a partir da publicação da emenda, em duas etapas:

  • dois meses após a publicação, a jornada cai para 42 horas semanais e os trabalhadores passam a ter direito a dois dias de descanso, sendo um deles preferencialmente aos domingos;
  • após mais 12 meses, a jornada chega às 40 horas semanais.

O limite de oito horas diárias é mantido, e o texto permite mecanismos de compensação de horários. As duas folgas não precisam ser consecutivas. Acordos ou convenções coletivas podem estabelecer regimes excepcionais, desde que garantam média de dois dias de descanso por semana ao longo do mês e ao menos uma folga a cada sete dias.

Cláusulas coletivas incompatíveis com as novas regras deixam de valer dois meses após a publicação.

Quem fica de fora da redução de jornada

A proposta prevê regras específicas para alguns grupos:

  • Salários mais altos: empregados com diploma de nível superior e remuneração a partir de duas vezes e meia o teto do RGPS (cerca de R$ 21 mil) ficam fora das regras de duração e controle de jornada, mas mantêm o direito ao repouso semanal. Esse ponto pode ser questionado no Supremo Tribunal Federal (STF), por criar distinção com base no diploma.
  • MEIs, micro e pequenas empresas: lei complementar poderá criar regras de transição mais brandas, condicionadas à manutenção dos empregos. Enquanto ela não existir, valem as mesmas regras para todos.
  • Contratos com o poder público: empresas que prestam serviços com mão de obra à Administração Pública terão até um ano para firmar aditivos de reequilíbrio econômico-financeiro.
    Bancários: funções com seis horas diárias, que somam 30 horas semanais, não devem ser afetadas pela redução para 40 horas.

PEC dos agentes de saúde

Para esta sexta-feira, Davi Alcolumbre anunciou que também será promulgada, na mesma data, a PEC que garante a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde.

O texto garante a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde. A proposta preocupava o governo por ser uma pauta que pode ter impacto de R$ 28 bilhões aos cofres públicos.

A PEC determina regras de transição para a aposentadoria de duas categorias: agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. O texto também estabelece a forma de contratação desses agentes, financiamento pela União e amplia as regras aos agentes indígenas de saneamento e agentes indígenas de saúde.

Com essa nova regra, esses agentes terão direito à aposentadoria com idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, desde que comprovem 25 anos de contribuição e de efetivo exercício.

A proposta também garante que sejam contados para a aposentadoria os períodos de afastamento para ocupar cargos de representação sindical.

De Olho no Cariri

Com CNN Brasil

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A eleição para a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Serra Branca, no Cariri paraibano, terminou em meio a divergências entre vereadores da situação e da oposição na noite desta quinta-feira (15). Após o encerramento da sessão ordinária, parlamentares da oposição realizaram uma nova reunião e elegeram o vereador Ronaldo da Cerâmica (União Brasil) para a presidência da Casa no biênio 2027-2028, em votação que terminou com cinco votos favoráveis e nenhum contrário entre os presentes.

A disputa ocorreu em um cenário de tensão política, envolvendo a composição das chapas e os procedimentos adotados para a escolha da nova Mesa Diretora. O atual presidente, Hércules Holanda (União Brasil), tentava a reeleição com o apoio do prefeito Alexandre, mas não participou da votação realizada posteriormente pelos vereadores da oposição.

O impasse começou durante a apresentação da chapa encabeçada por Hércules, quando o vereador Leka Brito anunciou a retirada de seu nome da composição e declarou apoio a uma nova chapa. A decisão provocou discussões entre os parlamentares e divergências sobre a continuidade do processo eleitoral.

Após o encerramento da sessão ordinária, os vereadores da oposição deram prosseguimento à eleição em uma nova reunião, conduzida pelo vice-presidente Diego Nunes. Além dele, participaram Ronaldo da Cerâmica, Talles de Macêdo, Leka Brito e Mércia da Saúde.

A chapa eleita, identificada como Chapa 02, ficou composta da seguinte forma:

  • Presidente: Ronaldo da Cerâmica (União Brasil);
  • Vice-presidente: Leka Brito (PP);
  • 1º secretário: Talles de Macêdo (Republicanos);
  • 2º secretário: Diego Nunes (DC);
  • 3ª secretária: Mércia da Saúde (PP).

Os outros quatro vereadores, ligados ao grupo político do prefeito Alexandre, deixaram o plenário e não participaram dessa votação. Os parlamentares que integraram a reunião registraram os procedimentos em vídeos e realizaram transmissões ao vivo nas redes sociais.

Ronaldo da Cerâmica havia deixado a base governista em março deste ano. Com a eleição, a oposição busca assumir o comando do Legislativo municipal a partir de janeiro de 2027.

Eleição ocorre após anulação de votação anterior

A nova disputa pela Mesa Diretora acontece após a Justiça anular uma eleição antecipada para o comando da Câmara, em decorrência de uma Ação Civil Pública apresentada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), o que tornou necessária a realização de um novo processo eleitoral.

Diante das divergências sobre a votação realizada nesta quinta-feira, os parlamentares envolvidos deverão recorrer à Justiça para buscar o reconhecimento da validade do resultado.

Assim, a composição da Mesa Diretora para o biênio 2027-2028 permanece no centro de uma disputa política e jurídica no município. A definição sobre a validade da eleição realizada após o encerramento da sessão ordinária poderá depender de decisão judicial.

De Olho no Cariri