Primeira-dama da Paraíba chora e condena fala de deputada eleita sobre feminicídio

A primeira-dama da Paraíba, Camila Mariz, chorou, nesta quarta-feira (14), ao rebater declarações da deputada estadual eleita por São Paulo, Eduarda Campopiano (PL), que disse não acreditar na existência de feminicídio. Ao comentar o assunto, Camila Mariz, que teve a mãe como uma das vítimas de feminicídio, considerou a opinião da parlamentar como “assustadora”.

“Aos dez anos de idade, minha mãe foi vítima de feminicídio. Então você abrir uma televisão hoje e você ver uma mulher falar que feminicídio não existe é assustador. E ouvir alguém eleita pela vontade do povo, pela democracia, dizer que feminicídio é uma conjunção, arranjo semântico, é assustador. Que mundo meus filhos vão viver?”, questionou a primeira-dama.

A coordenadora do programa ‘Antes que Aconteça’ na Paraíba, criado para enfrentamento da violência  contra contra o público feminino, também chamou atenção para o número de mulheres mortas no Brasil diariamente.

“São quase cinco mulheres mortas no Brasil por dia, vítimas de feminicídio. E a gente só sabe o que é a realidade do outro quando a gente se abre para entender e para ouvir, por mais diferente que seja da nossa”, complementou.

A fala de Camila Mariz ocorreu durante participação da paraibana  na manhã de hoje da abertura da edição Nordeste do evento “Mulheres que Pensam o Brasil”, realizada no Auditório Sérgio Guerra, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE), em Recife.

Em um pronunciamento emocionante e pessoal, Camila Mariz compartilhou sua vivência e destacou que a dor da perda da mãe impulsionou sua dedicação ao serviço público e às políticas de proteção,

“Eu fiz questão de abrir mão de um silêncio histórico na minha vida para abraçar outras pessoas. A nossa luta sempre foi pela sobrevivência. Não importa as nossas diferenças, o que importa é a gente dar voz, unir forças por outras e defender a união e a proteção das mulheres na política. Cuidar das mulheres e garantir a inclusão é dever de qualquer sociedade que pretende ser minimamente justa”, declarou Camila Mariz.

De Olho no Cariri

Com MaisPB

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A eleição para a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Serra Branca, no Cariri paraibano, terminou em meio a divergências entre vereadores da situação e da oposição na noite desta quinta-feira (15). Após o encerramento da sessão ordinária, parlamentares da oposição realizaram uma nova reunião e elegeram o vereador Ronaldo da Cerâmica (União Brasil) para a presidência da Casa no biênio 2027-2028, em votação que terminou com cinco votos favoráveis e nenhum contrário entre os presentes.

A disputa ocorreu em um cenário de tensão política, envolvendo a composição das chapas e os procedimentos adotados para a escolha da nova Mesa Diretora. O atual presidente, Hércules Holanda (União Brasil), tentava a reeleição com o apoio do prefeito Alexandre, mas não participou da votação realizada posteriormente pelos vereadores da oposição.

O impasse começou durante a apresentação da chapa encabeçada por Hércules, quando o vereador Leka Brito anunciou a retirada de seu nome da composição e declarou apoio a uma nova chapa. A decisão provocou discussões entre os parlamentares e divergências sobre a continuidade do processo eleitoral.

Após o encerramento da sessão ordinária, os vereadores da oposição deram prosseguimento à eleição em uma nova reunião, conduzida pelo vice-presidente Diego Nunes. Além dele, participaram Ronaldo da Cerâmica, Talles de Macêdo, Leka Brito e Mércia da Saúde.

A chapa eleita, identificada como Chapa 02, ficou composta da seguinte forma:

  • Presidente: Ronaldo da Cerâmica (União Brasil);
  • Vice-presidente: Leka Brito (PP);
  • 1º secretário: Talles de Macêdo (Republicanos);
  • 2º secretário: Diego Nunes (DC);
  • 3ª secretária: Mércia da Saúde (PP).

Os outros quatro vereadores, ligados ao grupo político do prefeito Alexandre, deixaram o plenário e não participaram dessa votação. Os parlamentares que integraram a reunião registraram os procedimentos em vídeos e realizaram transmissões ao vivo nas redes sociais.

Ronaldo da Cerâmica havia deixado a base governista em março deste ano. Com a eleição, a oposição busca assumir o comando do Legislativo municipal a partir de janeiro de 2027.

Eleição ocorre após anulação de votação anterior

A nova disputa pela Mesa Diretora acontece após a Justiça anular uma eleição antecipada para o comando da Câmara, em decorrência de uma Ação Civil Pública apresentada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), o que tornou necessária a realização de um novo processo eleitoral.

Diante das divergências sobre a votação realizada nesta quinta-feira, os parlamentares envolvidos deverão recorrer à Justiça para buscar o reconhecimento da validade do resultado.

Assim, a composição da Mesa Diretora para o biênio 2027-2028 permanece no centro de uma disputa política e jurídica no município. A definição sobre a validade da eleição realizada após o encerramento da sessão ordinária poderá depender de decisão judicial.

De Olho no Cariri