Coronel Tavares detalha ação da PM sobre ocorrência que terminou com um menor apreendido e um jovem morto entre Congo e Sumé


O comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar da Paraíba, coronel Tavares, concedeu uma entrevista para esclarecer os detalhes da ocorrência registrada na madrugada do último fim de semana, durante a tradicional Festa de Sant’Ana, no município do Congo. A ação policial terminou com a apreensão de um adolescente e a morte de outro jovem, natural de Sumé, após uma troca de tiros com policiais militares.

Segundo o comandante, a ocorrência teve início por volta das 3h da madrugada, quando a guarnição responsável pelo policiamento externo do evento foi acionada por populares. As testemunhas informaram que dois indivíduos, utilizando uma motocicleta, estavam encapuzados e armados, tentando furtar veículos e ameaçando pessoas para roubar seus pertences.

De acordo com o coronel Tavares, a equipe policial iniciou diligências e recebeu a confirmação das informações por parte dos vigilantes que faziam a segurança dos veículos estacionados nas proximidades da festa. Os suspeitos haviam seguido em direção ao posto de combustíveis localizado na saída do Congo para Sumé.

Ao localizar a dupla, os policiais deram ordem de parada, que foi desobedecida. Conforme o comandante, os suspeitos iniciaram uma fuga em alta velocidade pela rodovia, colocando em risco outros motoristas que trafegavam pelo local.

Durante a perseguição, o garupa, que portava um revólver, teria apontado a arma diversas vezes para a guarnição, numa tentativa de impedir a aproximação da viatura.

Diante da situação, a Polícia Militar solicitou apoio da guarnição de Sumé, que montou um bloqueio estratégico para interceptar os suspeitos antes que chegassem à área urbana do município.

Ainda segundo o coronel, ao se aproximarem do bloqueio, os ocupantes da motocicleta não reduziram a velocidade. Um policial precisou se lançar ao solo para evitar ser atropelado e, naquele momento, o garupa voltou a apontar a arma contra outro militar.

Foi nessa circunstância que houve um único disparo efetuado por um policial militar, atingindo o adolescente que estava na garupa da motocicleta.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado imediatamente, prestou os primeiros socorros e encaminhou o ferido ao Hospital Alice de Almeida, em Sumé. Em seguida, ele foi transferido para o Hospital de Trauma de Campina Grande, onde passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

O condutor da motocicleta foi apreendido e conduzido à Delegacia de Polícia Civil. Conforme relatado pelo comandante, o adolescente confessou que ambos estavam no Congo praticando furtos e roubos durante a festa. Ele também informou que a motocicleta utilizada na ação era clonada e havia sido adquirida no estado de Pernambuco.

O menor apreendido responderá por ato infracional análogo aos crimes praticados e será encaminhado para cumprimento das medidas socioeducativas cabíveis.

Durante a entrevista, o coronel Tavares lamentou o desfecho da ocorrência, mas afirmou que a reação dos policiais ocorreu diante de uma situação de legítima defesa.

“A Polícia Militar lamenta profundamente que um dos envolvidos tenha perdido a vida. No entanto, desde o início da ocorrência, eles agiram de forma extremamente violenta, ameaçando pessoas durante a tentativa de roubo e, posteriormente, apontando uma arma de fogo diversas vezes contra os policiais. Houve apenas um disparo, realizado para conter a injusta agressão sofrida pela guarnição”, destacou o comandante.

O comandante também ressaltou que a atuação dos policiais seguiu os protocolos operacionais e teve como prioridade preservar a segurança da população que participava do evento, além dos próprios agentes envolvidos na ocorrência.

Ao final da entrevista, o coronel reafirmou o compromisso da Polícia Militar com a proteção da sociedade, destacando que a corporação continuará atuando de forma firme no combate à criminalidade em toda a região do Cariri paraibano.

DE OLHO NO CARIRI

Com Rádio Cidade FM

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A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) sobre crise que atinge a Corte terminou com 4 votos a 3 para manter separadas as análises pelo Supremo das condutas de Alexandre de Moraes, na relação com Daniel Vorcaro, e de André Mendonça, na condução do relatório do caso Master.

Presidente do STF e relator da sessão desta terça, Edson Fachin votou para manter a separação dos casos após uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. Fachin foi acompanhado pelos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

Já Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram para que as análises sejam conjuntas. O ministro Flávio Dino, que havia votado com essa corrente, mudou o voto para um pedido de vista, o que suspendeu o julgamento.

Fachin foi o primeiro a votar

Na tarde desta terça, após a retomada do julgamento iniciado na manhã, o presidente do STF se posicionou contra uma questão de ordem, um questionamento, apresentado pelo ministro Gilmar Mendes, que defendeu o julgamento conjunto dos relatórios com informações da Polícia Federal sobre os dois ministros.

Fachin também foi contra a redistribuição do relatório sobre Alexandre de Moraes, que puxou para o seu gabinete. Gilmar defendia que houvesse um sorteio para a definição de um novo relator, alegando que é isto que está previsto no Regimento Interno da Corte.

“Quero, desde logo, me manifestar no sentido de manter não apenas a separação entre os julgamentos. Portanto, voto no sentido de prosseguir o julgamento de hoje, bem como, de não levar a efeito o apensamento [reunião] dos feitos mencionados e, por via de consequência, fica prejudicada a redistribuição na forma regimental”, disse Fachin.

André Mendonça vota para julgar seu caso e o de Moraes separadamente

O ministro André Mendonça acompanhou o voto de Fachin.

“Entendo não haver as mesmas bases fáticas. O que há, em relação a mim, é um suposto relatório de inteligência, um relatório ilegal, com monitoramento e coleta seletiva de dados de ministros do STF e de outras autoridades, em uma atividade própria de uma PF paralela. Documento ilegal, que o próprio documento fala que é sem valor probatório. São questões fáticas e jurídicas totalmente distintas”, disse Mendonça.

Fux e Cármen Lúcia também acompanharam Fachin e Mendonça.

Dino abriu divergência

Fachin foi o primeiro a votar sobre a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, contra a proposta de Gilmar.

Na sequência, ministro Flávio Dino abriu divergência e votou pela conexão dos dois casos, acompanhando o entendimento de Gilmar Mendes.

“Presidente, me parece que o encaminhamento é de respeitar a conexão, que nos trouxe até aqui. E por isso eu considero que o encaminhamento contido na questão de ordem do ministro Gilmar é aquela que preserva melhor o nosso papel de provedores de justiça e de segurança jurídica”, disse Dino.

O ministro Cristiano Zanin acompanhou Dino na divergência, votando a favor da questão de ordem de Gilmar.

“Para não ser repetitivo, eu vou adiantar, pedindo vênia a Vossa Excelência, que eu estou acompanhando o eminente ministro Gilmar Mendes na questão de ordem trazida e faço apenas algumas anotações complementares”, disse Zanin.

Na sequência, Zanin disse que, na avaliação dele, o ministro André Mendonça não deveria votar na análise do relatório das mensagens de Vorcaro a Alexandre de Moraes.

Posteriormente, Moraes se posicionou pela análise conjunta da sua situação com a do ministro André Mendonça.

“Nós estamos com um risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual, julgando as mesmas coisas, só que com o sinal invertido, os mesmos fundamentos, cada qual de um lado, com sinal invertido hoje [caso Moraes] e na próxima quarta-feira [sobre Mendonça]. Então presidente com essas com essas considerações, pedindo todas as vênias a Vossa Excelência, acompanho a questão de ordem do ministro Gilmar”, disse Moraes.

Ocorre que, posteriormente, após um bate-boca entre Gilmar Mendes e André Mendonça, Flávio Dino mudou sua posição, dizendo que estava passando a pedir vista.

Com isso, o placar ficou 4 a 3 para manter separadas as questões dos dois ministros.

Entenda a crise no STF

‘Não há pedido para abrir uma investigação criminal’, diz Moraes

A crise se intensificou após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de relatórios da Polícia Federal sobre as investigações do Banco Master.

Um dos documentos apontou 52 mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de encontros presenciais entre os dois e de um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes.

A divulgação dos documentos provocou um confronto entre Moraes e André Mendonça, relator das investigações do caso Master.

Moraes acusou o colega de fazer uma liberação “seletiva” dos autos e de omitir documentos. Mendonça negou e afirmou que manteve sob sigilo apenas informações necessárias para preservar investigações em andamento e dados de terceiros.

A disputa também envolveu o acesso às provas extraídas do celular de Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso integral ao material.

Após determinação de Zanin, a PF confirmou, na segunda-feira (14), ter entregue cópias do acervo digital aos três gabinetes. A PGR também se manifestou a favor da ampliação do acesso aos documentos.

Diante do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu separar os processos. O caso que envolve as mensagens entre Vorcaro e Moraes será analisado pelo Plenário nesta terça-feira (15).

Já as acusações de Moraes contra Mendonça ficaram para 23 de setembro.

Com Portal G1