ALPB discute implantação de polo têxtil no Cariri durante audiência pública no Congo

A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) realizou, nessa quarta-feira (6), audiência pública com o objetivo de discutir a implantação do polo têxtil do Cariri. O evento, proposto pelo deputado Doutor Romualdo, aconteceu no Clube 15 de Maio, no município do Congo, e contou com a presença de prefeitos e vereadores de cidades da região, além de trabalhadores e representantes da categoria têxtil.

Para o deputado Doutor Romualdo, discutir a implantação do polo têxtil do Cariri é uma medida de grande relevância para o fortalecimento do desenvolvimento econômico e social da região, além de regularizar questões fiscais que envolvem os estados da Paraíba e Pernambuco, no que diz respeito à produção, transporte e comercialização do material produzido. O parlamentar ressalta que o setor têxtil possui histórico consolidado de geração de emprego, renda e dinamização das economias locais, especialmente em regiões que buscam ampliar suas cadeias produtivas e incentivar o empreendedorismo.

“Nosso objetivo aqui é viabilizar essa indústria têxtil, para que tenhamos uma expansão para Pernambuco, torná-lo legal e ao mesmo tempo gerar mais emprego, melhores condições de vida para as pessoas e incentivá-las a instalar o polo aqui também, já que o produtor precisa pagar um diferencial quando produz aqui e leva para Pernambuco. Pernambuco, por sua vez, ao detectar que não foi produzido lá, multas esses produtores. Então, é essa a dificuldade. Queremos criar uma sintonia com os dois estados e uma confluência de ideias para que o imposto seja único para os dois”, explicou o deputado.

O deputado acrescentou ainda que a implantação de um polo têxtil na região do Cariri representa uma oportunidade estratégica para impulsionar o crescimento econômico da região, estimulando a instalação de novas empresas, fortalecendo a produção local e ampliando as oportunidades de trabalho para a população da região.

A prefeita do Congo, Flávia Sousa, agradeceu ao deputado e à Assembleia Legislativa por conceder aos produtores do setor têxtil a oportunidade de apresentarem suas demandas, principalmente, no que diz respeito a situação fiscal dos produtores da Paraíba, que encontram obstáculos burocráticos, que dificultam o escoamento da produção para o estado de Pernambuco, referência na comercialização e distribuição de tecido.

“Essa audiência tem como objetivo discutir dificuldades e obstáculos que nós temos hoje na produção local na indústria têxtil. Cada dia mais a gente tem aumentado essa produção, o que é muito importante para todas as cidades do Cariri, principalmente, as que estão mais próximas de Pernambuco. Hoje, temos algumas barreiras que impedem que essa produção seja ainda maior, tendo em vista que existem vantagens para indústrias que se instalam em Pernambuco, mas que que aqui não existem”, justificou a chefe do Executivo de Congo.

Na avaliação de quem vive diretamente da cadeia produtiva, a interiorização do polo têxtil pode representar um salto significativo para a economia local. Produtora têxtil e vereadora do Congo, Roseane Oliveira destacou que a iniciativa dialoga com uma realidade já consolidada no município e em cidades vizinhas. “Nós somos uma cidade que hoje tem muitos fabricantes e a maioria do pessoal vive da costura”, afirmou. Ela lembrou, também, que boa parte da produção ainda depende de deslocamentos para centros maiores, como Santa Cruz do Capibaribe (PE). “Trazendo isso para mais perto da gente, ficaria muito mais fácil, não só para o nosso município, mas também para cidades como Sumé, Caraúbas e Camalaú, que hoje se direcionam ao Moda Center”, completou.

Já o síndico do Moda Center, Thales Nery, reforçou a necessidade de integração entre os estados para potencializar o setor. Segundo ele, a relação entre o Agreste pernambucano e o Cariri paraibano já é intensa, mas ainda enfrenta entraves. “Existe uma conexão muito forte, um fluxo de mercadorias, de pessoas e de informações, mas que precisa ser entendido de uma maneira diferente, inclusive do ponto de vista fiscal, para facilitar e gerar mais emprego e renda”, pontuou.

Os paraibanos podem acompanhar todas as matérias apresentadas na ALPB, assim como, sessões ordinárias, visitas técnicas, reuniões de comissões, solenidades e debates através da TV Assembleia, pelo canal 8.2, e também pelo canal TV Assembleia PB no Youtube.

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A paraibana Mônica Maria da Silva, de 36 anos, foi localizada pela polícia espanhola após 51 dias sem contato com a família. Segundo os familiares, ela perdeu o contato com parentes em 4 de julho e foi localizada pelas autoridades espanholas na segunda-feira (24). A confirmação de que Mônica havia sido encontrada foi recebida pela irmã, Cristina Silva, nesta quinta-feira (27). 

De acordo com um comunicado enviado à família, Mônica informou às autoridades que está bem e que não deseja que o local onde está seja informado aos parentes. 

irmã dela, Cristina Silva, afirma, porém, que ainda tem dúvidas sobre as circunstâncias em que Mônica foi encontrada. Segundo Cristina, tanto a polícia espanhola quanto o Consulado-Geral do Brasil em Barcelona informaram que a paraibana não queria ser localizada pela família. 

“Esse negócio começou a ficar muito estranho, muitas pessoas querendo ocultar muitas informações e muitas coisas. E hoje eu temo por mim, sabe? Então, eu realmente deixei de mão. É algo que eu não posso controlar”, afirmou Cristina.

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informou que, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Barcelona, “tem conhecimento do caso e presta a assistência consular devida”

Família questiona decisão de Mônica não manter contato

Cristina diz não concordar com a decisão atribuída à irmã e afirma que tentou obter mais informações sobre o estado de Mônica. 

Segundo ela, a família chegou a pedir auxílio para conseguir uma prova de vida, mas não conseguiu. 

“O consulado e a polícia de lá me informou que ela não queria ser encontrada, que disse que não queria. A gente discorda disso, pediu até um advogado para isso, mas não conseguimos. Infelizmente a gente se sente impotente e não tem o que fazer, porque a gente não é a polícia, a gente não é uma autoridade”, disse.

A irmã também afirma que gostaria de ter acesso a registros que pudessem confirmar as condições em que Mônica foi localizada. 

“Por mais que eles digam que é uma coisa certa, que nenhum policial vai mentir, a gente quer ver”, afirmou.

Desaparecimento e relatos de possíveis agressões

Paraibana pediu para que cliente guardasse as provas das agressões sofridas — Foto: Arquivo Pessoal/Cristina Silva

Paraibana pediu para que cliente guardasse as provas das agressões sofridas — Foto: Arquivo Pessoal/Cristina Silva 

Mônica tem 36 anos, é cabeleireira e tem uma filha de seis anos, que mora em Pedras de Fogo, na Paraíba, com a irmã dela, Cristina. 

De acordo com Cristina, o último contato com Mônica aconteceu no dia 4 de julho, por chamada de vídeo. Após alguns dias sem notícias, a família passou a procurar amigas da paraibana que vivem na Espanha. 

Segundo a irmã de Mônica, ela teria ido para a Espanha pela primeira vez em 2021. Depois de passar um período no Brasil, retornou ao país europeu em 2024. Em outubro daquele ano, segundo a irmã, ela esteve novamente no Brasil, acompanhada da filha, que tinha quatro anos na época. A criança ficou com a avó, e Mônica retornou à Espanha. 

A família conseguiu identificar o endereço onde Mônica mora, próximo à estação de metrô Can Cuiàs, na região de Ciutat Barcelona, perto de Santa Coloma de Gramenet. 

Durante as tentativas de localizar Mônica, uma cliente da cabeleireira entrou em contato com a família. Segundo Cristina, a mulher afirmou ter conversado com Mônica e enviou fotos, vídeos e mensagens que havia recebido dela. 

De acordo com a irmã, em uma das mensagens, enviada em abril, Mônica teria pedido à cliente que guardasse o material porque temia ficar sem o celular. A família não soube informar o motivo pelo qual Mônica teria manifestado esse receio. 

Cristina afirma que, em algumas das imagens, Mônica aparece ao lado de um homem que não era conhecido pela família e que seria um possível namorado. A irmã também relata ter recebido fotos nas quais Mônica aparece com as unhas machucadas ou arrancadas, além de informações de que ela teria sido agredida pelo homem. 

Não há, até o momento, confirmação das autoridades espanholas sobre essas acusações.

Pertences continuam na casa de ex-namorado, diz irmã

Outro ponto que causa preocupação à família é o fato de, segundo Cristina, documentos, roupas e medicamentos de Mônica permanecerem na residência do ex-companheiro. 

“Ele está com as medicações dela, está com o passaporte dela. Ele me enviou foto com as roupas dela, tudo está lá. E onde essa mulher foi parar só com a roupa do corpo?”, questionou.

Cristina afirma que, diante dessas circunstâncias, não consegue considerar encerradas as dúvidas sobre o paradeiro e as condições da irmã. 

Apesar de a localização de Mônica ter sido confirmada pelas autoridades espanholas, Cristina afirma que não se sente capaz de continuar tentando obter novas informações. A irmã disse que decidiu interromper as buscas por conta própria. 

“Eu não tenho nem força mais para estar atrás de algo que está muito estranho”, declarou.

Ocorrência foi registrada em Barcelona

Depois de conversar com Cristina, Viviane orientou a família sobre a necessidade de comunicar o desaparecimento às autoridades espanholas. Como não havia ninguém da família em Barcelona para fazer o procedimento, ela decidiu ir pessoalmente até uma delegacia. 

“Eu falei: ‘Cristina, o que tem que ser feito é que alguém tem que ir na polícia aqui em Barcelona e abrir o boletim de ocorrência para a polícia começar a investigar’”, disse.

Viviane ficou cerca de três horas na delegacia, aguardando atendimento. Segundo ela, durante o procedimento, os policiais verificaram o sistema e informaram que não havia registro relacionado ao desaparecimento de Mônica. “Realmente não tinha. A polícia não tinha conhecimento nenhum”, afirmou. 

Ela entregou aos policiais o contato de Cristina e as informações que tinha sobre Mônica. Viviane também se colocou à disposição para ajudar com traduções ou acompanhar a família em eventuais procedimentos.

De Olho no Cariri

Com G1 Paraíba