A primeira noite de desfiles da Marquês de Sapucaí, neste domingo, 15, foi marcada por duas homenagens bem diferentes. A começar pela que a Acadêmicos de Niterói apresentou, trazendo o presidente Lula desde os tempos de infância em Garanhuns, no interior pernambucano; passando pela fase como torneiro mecânico no ABC Paulista; a luta de classes nas greves em plena ditadura militar e os projetos sociais implantados durante seus mandatos como presidente. Além de pecar em alegorias e fantasias, o desfile dá margem para discussões sobre a antecipação do processo eleitoral. Tudo isso pode servir de argumento para a oposição tentar buscar uma inelegibilidade de sua candidatura à reeleição.
Enquanto a maior parte das arquibancadas aplaudia a história de Lula sendo contada, em lugares específicos da Sapucaí foi possível ouvir vaias, principalmente em camarotes. Janja desistiu de desfilar no último carro e, em seu lugar, veio a cantora Fafá de Belém. A lista de ministros anteriormente confirmada para defender o enredo foi por água abaixo nesta última semana, quando se intensificaram as críticas do uso eleitoreiro do desfile.
O carnavalesco Thiago Martins não conseguiu traduzir de forma criativa a maior parte das escolhas feitas para narrar a vida do presidente. Se a ideia era trazer uma narrativa pelo olhar da mãe de Lula, Dona Lindu, a proposta ficou apenas no samba. Os problemas se estenderam ainda para a parte técnica, com um carro alegórico empacado na dispersão, o que provocou atrasos na programação da noite por decisão preventiva da Liesa.
Segunda escola a passar na avenida, a Imperatriz Leopoldinense escolheu cantar a vida e obra do cantor Ney Matogrosso. Com o visual bastante colorido, o carnavalesco Leandro Vieira fez uma apresentação digna da vida de um dos cantores da música popular brasileira mais longevos da atualidade. Ney, bastante simpático, acenava para o público ao mesmo tempo em que lhe fugia palavras para poder descrever, já ao término da apresentação, o que representou este momento em sua vida.
A Portela e a Mangueira, duas das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro e também com as maiores torcidas, tiveram problemas para executar seu Carnaval. O que se viu na avenida com a azul e branca de Madureira foi um desfile apático sem a criatividade exigida pelos portelenses. O abre-alas trazia uma águia pequena para as proporções que se está acostumado a ver. A avaliação da escola também deve ser impactada por falhas de evolução e harmonia: o carro da tradicional Velha Guarda comprometeu o andamento do desfile ainda na concentração; a alegoria não conseguiu alcançar a entrada da avenida no tempo correto, abrindo um buraco na pista.
O samba fraco da Mangueira fez apresentação morna para um final de noite que merecia ser mais apoteótico. A verde e rosa também sofreu com imprevistos técnicos: um carro apresentou falha na dispersão e chegou a derramar óleo na pista, mobilizando empurradores de todas as outras alegorias para evitar maiores transtornos. Impulsionado pela torcida, o voto popular na transmissão da Globo, entretanto, apostou que a escola tem 95% de chances de ser campeã.
No final, o saldo somou a tentativa de Lula entrar na Sapucaí como o candidato a Folião e terminou na chancela de que ainda não pintou nenhuma escola com cara de campeã. Oito escolas ainda desfilam entre segunda e terça-feira de Carnaval.
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