Após EUA, Israel lança ataque contra instalação nuclear iraniana de Fordow

Israel realizou um novo ataque à instalação nuclear de Fordow, uma planta subterrânea de enriquecimento de urânio ao sul de Teerã, informou a agência de notícias AFP citando um veículo de comunicação do Irã. A investida vem após um bombardeio dos Estados Unidos ao local, que aumentou tensões na guerra aérea que abala o Oriente Médio há dez dias.

“O agressor atacou novamente a instalação nuclear de Fordow”, informou a agência de notícias iraniana Tasnim, citando um porta-voz da autoridade de gerenciamento de crises na província de Qom, onde a usina está localizada.

Em meio aos relatos de uma nova investida contra Fordow, que abriga laboratórios a 80 quilômetros de profundidade em cavernas sob formações montanhosas, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que o Exército do país estava atacando alvos no centro de Teerã com “intensidade sem precedentes”.

Ataque dos EUA

Na noite deste sábado, 21, os Estados Unidos entraram na guerra entre Israel e Irã, iniciada em 13 de junho, e atacaram três instalações nucleares no país persa, elevando a tensão no Oriente Médio. Os desfechos ainda são imprevisíveis.

As informações divulgadas pelo presidente americano, Donald Trump, deram conta de que os alvos incluíam os dois principais centros de enriquecimento de urânio: a instalação subterrânea de Fordow e a usina de enriquecimento maior, em Natanz. Um terceiro local, perto da antiga cidade de Isfahan, é onde se acredita que o Irã guarda seu material radioativo.

Em pronunciamento em cadeia nacional, Trump ameaçou o regime dos aiatolás, caso eles venham a retaliar o ataque. “Haverá paz, ou uma tragédia maior para o Irã. Maior do que vimos nos últimos oito dias. Há muitos alvos ainda. Essa noite foi a mais difícil de todas e talvez a mais letal. Mas se a paz não vier rapidamente, nós iremos atrás desses outros alvos, com precisão, velocidade e capacidade. E eles podem ser destruídos em minutos. Não há força militar no mundo que possa fazer o que fizemos essa noite”, disse em pronunciamento em cadeia nacional.

Segundo informações da imprensa americana, os Estados Unidos teriam informado o governo iraniano de que não pretende realizar novos ataques. Os dois países não mantém relações diplomáticas desde 1979, mas a Casa Branca teria feito as informações chegarem até o chefe supremo do país, Ali Khamenei, por meio de intermediários.

Os governos de Israel e dos EUA sustentam que o Irã estava prestes a obter um grau de enriquencimento de urânio de 90%, o que seria suficiente para a construção de uma arma atômica. A nação xiita é signatária de um tratado internacional de não proliferação de armas nucleares, o que siginifica que a tecnologia seria utilizada apenas para fins pacíficos. Teerã sempre negou essa possibilidade. 

O bombardeio americano ocorreu após uma nova onda de ataques aéreos israelenses contra bases de mísseis e uma instalação nuclear no Irã, na região de Ahvaz. O alvo é estratégico, pois estaria em qualquer rota de voo usada por aviões de guerra americanos.

Ainda não há confirmação sobre o tipo de armamento utilizado no ataque americano. Nos últimos dias, porém, se apontou para o uso de uma bomba capaz de destruir instalações subterrâneas. Chamada oficialmente de Massive Ordnance Penetrator, ou GBU-57, o artefato é conhecido como “bunker-buster”, ou “destruidor de bunkers”. A arma foi especialmente desenvolvida para atacar instalações nucleares construídas nas profundezas das montanhas do Irã e da Coreia do Norte.

Testada durante o primeiro mandato de Trump, ela passou a compor o arsenal americano. A bomba tem um invólucro de aço muito mais espesso do que o normal, o que permite que a munição permaneça intacta enquanto perfura solo, antes de detonar. Trata-se de uma das maiores bombas do mundo, com 6 metros de comprimento e 13.660 quilos, o que significa que apenas o bombardeiro americano B-2, com tecnologia anti-radar, pode carregá-la. Essas aeronaves deixaram os Estados Unidos, rumo ao Oriente Médio na tarde de sábado. 

Danos

Segundo o Irã, não houve vítimas civis dos ataques americanos. O último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde do país informou que mais de 400 iranianos, incluindo 54 mulheres e crianças, foram mortos desde que Israel iniciou seus ataques, e pelo menos 3.056 outros ficaram feridos. Um porta-voz iraniano afirmou que a maioria das vítimas era civil.

Mas o bombardeio provavelmente causou danos “muito significativos” às áreas subterrâneas da usina de Fordow, disse o chefe da agência nuclear das Nações Unidas, Rafael Grossi, nesta segunda-feira.

“Dada a carga explosiva utilizada e a natureza extremamente sensível à vibração das centrífugas, espera-se que tenham ocorrido danos muito significativos”, declarou Grossi em um comunicado durante uma reunião de emergência do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIE), composto por 35 países.

Ele acrescentou: “Indiquei que qualquer transferência de material nuclear de uma instalação protegida para outro local no Irã deve ser declarada à agência, conforme exigido pelo Acordo de Salvaguarda do Irã, e expressei minha disposição em trabalhar com o Irã nessa questão.”

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Um homem, que não teve a identidade divulgada, foi preso nesta quinta-feira (3), em Serra Branca, no Cariri paraibano, suspeito de envolvimento em um caso de tortura, sequestro e lesões corporais praticados em um contexto de violência motivada por homofobia. A prisão ocorreu após investigações da Polícia Civil.

Segundo a corporação, os crimes aconteceram em fevereiro de 2020. Na ocasião, um professor, que tinha 45 anos à época, teria sido retirado à força de sua própria residência e levado contra a vontade para uma região rural do município.

Ainda conforme as investigações, a vítima foi submetida a intenso sofrimento físico e psicológico por quatro homens. Os suspeitos teriam utilizado agressões e outras formas de violência relacionadas à discriminação por sua orientação sexual.

As agressões provocaram ferimentos que fizeram com que o professor precisasse receber atendimento hospitalar e passar por um procedimento cirúrgico.

A Polícia Civil apurou ainda que o crime teria sido planejado como uma forma de represália depois da divulgação, nas redes sociais, de um vídeo relacionado à vida íntima da vítima.

A possível motivação discriminatória foi considerada durante a investigação e poderá ser levada em conta na responsabilização penal, conforme a análise dos elementos reunidos no procedimento.

Após a prisão, o investigado foi encaminhado para uma unidade policial, onde foram realizados os procedimentos legais. Em seguida, ele ficará à disposição da Justiça.

As investigações continuam. A identidade da vítima e outras informações relacionadas ao caso permanecem preservadas em razão do sigilo do procedimento.

De Olho no Cariri