Deputada é alvo de atentado de milícias e motorista é baleado no Rio de Janeiro

O carro da deputada estadual Martha Rocha (PDT-RJ) foi alvo de tiros na manhã de hoje (13) e o seu motorista foi baleado na perna após intensa trocas de tiros. O crime aconteceu no bairro da Penha, na zona norte da cidade.

As primeiras informações indicam que o carro em que a deputada estava foi fechado nas proximidades da Avenida Brasil por um outro veículo em que estavam quatro homens armados com fuzis. Houve intensa troca de tiros, o motorista da deputada levou um tiro na perna e foi levado para o Hospital Getúlio Vargas, também na Penha, mas já recebeu alta.

A assessoria de imprensa da parlamentar informou que a deputada não foi atingida e passa bem. A deputada acompanhou o atendimento médico de seu motorista, o subtenente reformado da PM Geonísio Medeiros.

Em seu segundo mandato na Assembleia Legislativa, Martha Rocha, de 59 anos, foi a primeira mulher a chefiar a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

Atentado

Em entrevista coletiva após o atentado, a deputada disse ter comprado o carro por ter recebido relatos de ameaças por milicianos desde novembro do ano passado.

A deputada afirmou ter sido informada, por meio do Disque Denúncia, que seria alvo de milicianos. “Recebi uma notícia do Disque Denúncia, precisamente três, de uma ameaça dirigida a mim. Um segmento da milícia planejava atingir algumas autoridades, e o meu nome vinha especificado neste Disque Denúncia”, declarou.

Ex-chefe da Polícia Civil do estado, Martha Rocha diz ter falado pessoalmente com Rivaldo Barbosa (chefe da Polícia Civil até o fim do ano passado), com Gilberto Ribeiro, também da Polícia Civil, e com o presidente da Assembleia Legislativa, André Ciciliano (PT-RJ).

Segundo ela, Ciciliano a acompanhou em uma reunião com o general Braga Neto, na época interventor federal na segurança do Rio.

A parlamentar disse que naquele momento preferiu não pedi escolta pessoal, mas pediu à Polícia Civil “uma análise de risco”.

“Eu não pedi escolta, porque o que eu desejava naquele momento era uma análise de risco para saber se [as ameaças] Disque Denúncia tinha ou não fundamento”, explicou.

Martha Rocha relatou ter tido conhecimento das primeiras ameaças no início de novembro. “Isso foi no início de novembro e, quando chegou no final do ano, nós devolvemos o carro [oficial] e, em razão [das informações] do Disque Denúncia, eu comprei um carro blindado”, comentou.

“O carro em que eu estava hoje era de minha propriedade, blindado e que foi comprado a partir dessas notícias, levando em consideração o fato de que já havia três denúncias”.

Os tiros contra o carro em que estava a deputada ocorreu na manhã de hoje na Penha, zona Norte da cidade, quando ela se dirigia à missa acompanhada da mãe. O carro em que estava foi interceptado por um utilitário branco. Um homem com “touca ninja” e fuzil desceu do veículo e atirou.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da capital (DH) e pela Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). A polícia trabalha com duas linhas de investigação: tentativa de assalto ou atentado.

Ministério Público

Em nota, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, lamentou o ataque.

Segundo o texto, o atentado “configura-se num ato de extrema gravidade, sobretudo por tratar-se, mais uma vez, de uma parlamentar, o que representa uma tentativa de intimidação e ameaça ao Estado Democrático de Direito”.

O procurador-geral manifestou solidariedade à deputada e a seu motorista, que saiu ferido do crime. Ele esclareceu que acompanhará, com rigor, a condução das investigações policiais e pôs à disposição das autoridades estaduais as equipes de investigação do Ministério Público para a “completa elucidação do caso da forma mais célere possível, como exige a gravidade da situação”.

Com Click PB

Por: KLEBSON WANDERLEY em 13 de janeiro de 2019

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