Ex-prefeito de Sumé lamenta condução coercitiva e aponta erro da CGU e MPF

Em entrevista na manhã deste sábado (18), o ex-prefeito de Sumé Francisco Neto lamentou ter sido alvo de uma condução coercitiva pela Polícia Federal, durante a Operação Titanium, deflagrada no dia 7 de novembro deste ano e investiga possíveis irregularidades no programa Brasil Sorridente do Governo Federal, que fornece implantes dentários e próteses pelo Sistema Único de Saúde. Além da PF, a operação também tem parceria com o Ministério Público Federal (MPF) e a Controladoria Geral da União (CGU).

Para Dr. Neto, como é conhecido na cidade, a PF foi precipitada ao decidir levá-lo coercitivamente. “Foi precipitado demais. Vários carros da Polícia Federal vieram na minha casa, me conduzindo coercitivamente para a PF em Campina Grande, sem que houvesse sequer uma acusação contra mim. Foi um grave, lamentável e doloroso equívoco”, desabafou.
A denúncia partiu da auditoria da CGU, que apontou uma super demanda de atendimentos que não era compatível para a densidade demográfica do Município. De acordo com as investigações, entre março de 2015 e julho de 2017, o programa realizou 21 mil implantes e 13 mil próteses atingindo um valor superior a R$ 9 milhões. Dr. Neto explicou que o programa atendia não apenas a população de Sumé, que possui, aproximadamente, 17 mil habitantes, mas também todo a região do Cariri paraibano.
“O programa foi um sucesso, porque despertou o interesse da população e das demais prefeituras da região do Cariri. Tanto que a mesma empresa ganhou a licitação para os municípios de Pombal, Paulista, Brejo do Cruz, Mongeiro e Esperança. Fui a Brasília, soube do projeto, elaborei o plano de trabalho e consegui os recursos deste convênio. Lamento o equívoco. A CGU olhou o convênio, viu que a cidade tem 17 mil habitantes e concluiu que teve um superbeneficiamento, pelo número de atendimentos. Mas não atendíamos apenas as pessoas de Sumé, mas todo o compartimento do Cariri e alguns municípios até de Pernambuco, à época. Eles tomaram conhecimento do programa”, disse.
E continuou explicando sobre como o trabalho executado em sua gestão atraiu pessoas de outros lugares. “Todos sabem que implante dentário custa caro, o mais simples custa R$ 3 mil. Quando as pessoas souberam do programa, aumentou a nossa demanda. Houve então um lamentável equívoco da CGU e do Ministério Público, apenas por observarem a grande demanda de implantes para uma população de 17 mil habitantes, mas não procuraram saber se essa demanda também abrangia a população de todo o resto da região do Cariri, que engloba 18 municípios, com uma população de mais de 150 mil habitantes. Todo erro foi pensar que o trabalho foi feito só em Sumé. Já apresentamos esses dados a estes órgãos, foi feita uma acariação envolvendo mais de 40 pessoas pelo MPF, CGU e PF”, justificou.
Ele ainda comentou sobre a ligação familiar com o dono da empresa que fornecia o serviço à Prefeitura de Sumé. “Abrimos uma licitação, publicada no Diário Oficial da União, para contratar uma empresa que realizasse esse serviço. Então, casual e coincidentemente, um genro meu tem uma clínica em Samambaia, cidade satélite de Brasília. Publicamos o edital e só a empresa dele participou da licitação, porque a empresa que ganhasse, receberia recursos apenas três meses após começar a ação dos trabalhos. Essa condição faz com que muitas empresas não queiram prestar serviço. Então ele começou a prestar os serviços em Sumé e fomos a primeira prefeitura no Nordeste que trouxe esse convênio”, relembrou.
Por: KLEBSON WANDERLEY em 19 de novembro de 2017

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