Diálogo I « de olho no cariri

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26 de março de 2015

Diálogo I



Por Padre Valdir Campelo

“O Semeador saiu a semear… sementes caíram em terra boa e
produziram fruto…”  ( Marcos 4, 3 . 8 ).

Olhando com atenção a pregação de Jesus, devemos reconhecer que suas chances de sucesso eram pequenas, e as resistências à sua mensagem e ao seu Projeto (Boa Nova) eram muito grandes. Aos adversários que lhe faziam notar isso, o próprio Jesus respondeu com a parábola do semeador. Este sabe que as sementes que ele espalha no campo podem encontrar numerosos obstáculos: aves do céu, pedras, espinhos ou ervas daninhas. Mesmo assim tem a certeza de que, um pouco mais adiante, a terra dará fruto e produzirá trinta, sessenta, cem vezes por um.

Nessa perspectiva, somos convidados a não termos um olhar míope, que só vê os obstáculos que nos cercam agora, ou um olhar preconceituoso, que está limitado ao nosso egoísmo. Somos convocados a olharmos mais longe, para frente e a sermos cidadãos do mundo numa Igreja viva. Quanto é certa a nossa fadiga hoje, igualmente certa será a colheita amanhã. E o que plantarmos hoje, com alegria recolheremos.

A missão cristã está diante de nós: muitas famílias e comunidades precisam vivenciar uma nova Evangelização. Para pensar melhor e enfrentar com mais ardor essa missão que foi confiada a nós, temos um caminho: manter um diálogo aberto e permanente com os cristãos e com toda a sociedade. Num mundo que perdeu a esperança, que vive alienado, por um consumismo desenfreado e selvagem, com uma economia mortífera, com uma intolerância religiosa que explode em atos de terrorismo, com um preconceito criminoso contra os menores, a Igreja tem a missão de manter vivo um processo dialogal. Não convêm que a Igreja tenha a única palavra sobre todos os assuntos.  Assim, nos diz o Papa Francisco: “Não se deve esperar do magistério papal uma palavra definitiva ou completa sobre todas as questões que dizem respeito à Igreja e ao mundo” (1).

Há poucos dias li na internet um comentário de um jovem “cristão” que clamava pela volta da fogueira da inquisição, para que nela fossem queimados outros jovens cristãos porque pensam e celebram de modo diferente. Constata-se assim que não é apenas falta de conhecimento da história e da teologia, mas a onda crescente da intolerância religiosa que cega o nosso olhar. Criticam os mulçumanos, mas acabam se comportando da mesma maneira e, o mais grave, entre nós mesmos.

O teólogo e filósofo Leonardo Boff aborda essa realidade abominável e cada vez mais presente entre nós, com o seguinte questionamento e resposta:

O que fazer para superar este impasse da intolerância irracional? Fundamental é viver a ética da hospitalidade, dispor-se a dialogar e aprender com o diferente, viver a tolerância ativa, sentir-se humanos. As religiões precisam se reconhecer mutuamente, entrar em diálogo e buscar convergências mínimas que lhes permitem conviver pacificamente. Antes de mais nada importa reconhecer o pluralismo religioso, de fato e de direito. A pluralidade se deriva de uma correta compreensão de Deus. Nenhuma religião pode pretender enquadrar o Mistério, a Fonte originária de todo ser ou qualquer nome que quisermos dar à Suprema Realidade, nas malhas de seu discurso e de seus ritos. Se assim fora, Deus seria um pedaço do mundo, na realidade, um ídolo. Ele está sempre mais além e sempre mais acima. Então, há espaço para outras expressões e outras formas de celebrá-lo que não seja exclusivamente através desta religião concreta (2).

Além do aspecto dialogal, o desafio do anúncio da fé hoje é comunicá-la numa “nova linguagem parabólica”. Assim nos diz o papa Francisco: “É preciso ter a coragem de encontrar os novos sinais, os novos símbolos, uma nova carne para a transmissão da Palavra, as diversas formas de beleza que se manifestam em diferentes âmbitos culturais”.

Neste sentido, a nossa coluna será um espaço de participação e de diálogo fecundo e respeitoso. Caro internauta, a sua palavra será elemento constitutivo para este diálogo. Participe, apresentando-nos a sua impressão sobre os assuntos abordados e sugerindo outros temas para serem refletidos neste espaço de comunicação.

Referências

1 – Evangelli Gaudium 16
2 – https://leonardoboff.wordpress.com/2015/01/26/as-religioes-e-o-terrorismo/



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